quarta-feira, 29 de novembro de 2006

"DEUS E A PROSTITUTA"



“O dia em que vi Deus numa prostituta”


Tenho tido uns “insites” meio malucos estes dias, vocês já devem ter percebido pelos títulos dos textos que tenho lançado na internet e pelas mensagens que tenho pregado, como por exemplo a ultima que escrevi, “Deus morreu!” e outras, passei minha vida toda na busca pelo divino, cresci e me criei dentro de uma igreja batista e toda minha vida foi na vontade de encontrar aquilo que tanto procurei, mas ultimamente tenho percebido uma coisa, quanto mais divino entendo Deus, mais humano o vejo, a divindade de Deus tem sua maior revelação na humanidade dEle em Jesus, num texto que escrevi a um bom tempo falo disso, quando comento a respeito daquilo que Ele é, quando nos perguntam isso sempre a resposta é outra definição, é sempre o que mais amamos, amo futebol, musica e coisas deste tipo, a resposta do ETERNO a esta pergunta não foi diferente, foi também o que ele mais amava, o ser humano, o corpo, a resposta foi JESUS DE NAZARÈ.

Comecei assim para que vocês entendam e comecem a construir este próximo pensamento a partir de meus olhos, e tudo começa quando estes dias visitei uma creche aqui perto de minha casa, uma alegria só, o lugar não é dos melhores, a higiene deixa muito a desejar, mas com certeza o amor que aquele lugar exalava não se encontra nem na maioria das igrejas que já fiz parte, e em meio a brincadeira com as crianças e conversas com algumas pessoas, cola ao meu lado um pequenino, segura na minha mão e como que com um inocente ciúme me tira do meio dos adultos, me mostra algumas coisas e depois me puxa para conversar, me perguntou onde morava, o que fazia, do que gostava, para que time torcia (só para deixar registrado, sou tricolor apesar das dores, santa cruz), sobre meus pais, do que gostava de comer, estas coisas, eu ali respondendo tudo, no meio deste questionário digno da santa inquisição surge uma pergunta que me fez pasmar, principalmente vindo de uma criança de quatro anos, ele me perguntou: “já que o senhor é pastor, me fale como é Deus?”, fiquei com um sorriso bobo olhando para ele, sem saber como começar, e na verdade nem o que dizer, foi então que corri pelos caminhos normais, disse Deus é nosso pai do céu, que ta sempre do nosso lado cuidando de nós, e então veio a próxima pergunta para acabar comigo: “e como é um pai?”, o pai daquela criança mal o tinha conhecido quando morreu crivado de bala após uma tentativa de assalto frustrada, fiquei pasmado, como responderia aquela indagação, também não era o melhor de meus assuntos, meu pai morreu quando tinha três anos, como vou entender este Deus pai também?! E de súbito respondi: “Mas Deus é mãe também!”, os olhos dele brilharam, foi ai que me falou: “Então Deus é muito bom, pois minha mãe é muito boa pra mim!”, e me atrevi a perguntar o que a mãe dele fazia para ser tão boa, e ele: “Ela faz tudo pra mim, todo dia ela vai trabalhar e fica até tarde só pra me da comida e brinquedo para mim, e ela diz que só faz todo isso para me dar o que ela não teve”, em que ela trabalha, perguntei, e ele: “ela dorme com os ‘homi’ e eles dão dinheiro a ela, Deus também faria isso por mim?”, sentei no chão, o silencio me tomou, e agora? O que responderia? E antes que me tomasse pelas ataduras da religião respondi, “claro que sim, ele faria tudo por você!”, ele encheu a boca com um sorriso que só as crianças sabem, levantou, me abraçou, me beijou o rosto e foi brincar tranqüilo.

Ainda sentado e perplexo com a capacidade daquela criança comecei a pensar, “Deus realmente faria isso?” foi quando lembrei de Oséias, na vida deste profeta foi manifesto aquilo que Deus faria por nós, ele tomou aquela prostituta por esposa, não uma mas duas vezes, se tornou um com ela, se tornou prostituta com ela, o amor de Deus naquele momento não foi um amor amarrado pelos dogmas e enjaulado como o meu amor de um pastor por minhas ovelhas, mas tomou a forma do amor daquela mãe que faria de tudo em meio ao desespero para ver o sorriso daquela criança.

Somos as crianças de Deus, e a tudo Ele esta disposto a fazer por nós, mas do que imaginamos ele já fez, é difícil entender e aceitar aquela mãe, é difícil entender e aceitar este Deus, o que nos resta e chegar mais perto, subir no seu colo, deitar em seu seio e descansar, aproveitar o grande amor do Deus mãe, e neste momento encontrar o Deus que faz do “pecado” graça e da “graça” pecado.

Com carinho,


Clarence Santos

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

"DEUS MORREU"


"Uma denuncia!"
Uma das frases mais fortes que já ouvi, abominadas com horror por muitos teólogos e pastores é geralmente colocada na boca de um dos grandes filósofos do século 19/20 chamado Friedrich Nietzsche, que é “DEUS MORREU”, ele coloca esta frase num de seus livros mais interessante, “Assim falava Zaratustra”, e ele a coloca no seguinte contexto, contando o encontro entre Zaratustra e um monge ermitão, que após um dialogo se despedem e por fim Zaratustra fala: “será que ninguém avisou a este pobre homem que Deus morreu?”.
Nietzsche foi um filho de pastor luterano e conheceu como muitos falam “A palavra”, em uma época chegou a estudar teologia em um seminário, porém deixou, desistiu de tudo aquilo e foi procurar respostas em outro lugar, entendo o Nietzsch, sei bem o que ele passou e acredito que a resposta dele a sua vida, declarando a morte de Deus, não só é compreensível como também verdade.
A minha primeira crise de fé que me recordo ter tido foi mais ou menos aos oito anos, andava bem e feliz com minha vida de cristão, nasci e cresci dentro de uma igreja batista, mas a minha paz e alegria tinham tempo para acabar, até escutar em uma mensagem do pastor num domingo algo que me chocou, “se você não tiver fé, você está condenado ao inferno”, aquilo teve um peso dentro de mim fora do comum, pois acreditava em Deus, fazia tudo o que a religião pedia, cuidava para não me pegar em alguns daqueles pecados mortais (tipo escutar musicas mundanas e não me masturbar... rsrsrsrs...) mas o que danado era fé, não tinha noção do que era aquilo, só sabia que se não tivesse Deus me mandaria para o inferno num piscar de olhos, passei noites sem dormir até que aquilo fosse embora, não que tivesse me abandonado, mas na verdade houve só uma troca de carrasco, pois agora o meu carrasco era o próprio DEUS, que nas minhas normais e recatadas experiências de adolescente vivia com seus olhos a me espreitar, com um tridente que pedira emprestado do diabo a espetar meu coração em cada atitude, olhar ou no mínimo pensamento condenado pela detentora da salvação, a igreja. Isso só foi acabar quando comecei a perceber que nada daquilo poderia ser de Deus, que na verdade o Deus de minha igreja já havia falecido a muito tempo, só que tinham esquecido de avisar aos pobres fiéis que de adoradores não tinham nada, apenas morriam de medo do inferno e assim barganhavam com o cadáver que as igrejas chamam de Deus. Não culpo Nietzsche, o compreendo, concordo com ele, este DEUS MORREU!
Calma, não acendam as tochas ainda, terminem de ler e depois decidam, realmente uma das constatações mais obvia dos últimos dias é a da morte de Deus, e nestes últimos dias fiquei a cassa de seu assassino e descobri, nós somos os assassinos de Deus, com nossa incapacidade de entender a graça, com nossa mania de achar que Deus pensa exatamente como nós, com nosso velho habito de achar que a nossa experiência com Deus deve ser a experiência de todas as outras pessoas. Vivi oprimido por muito tempo com essas coisas, por líderes miseráveis que impõem cargas que nem eles conseguem suportar, esse Deus que eles pregam não existe, a não ser dentro do coração oprimido e opressor de cada um desses carrascos, que apenas o usam como mascara negra no rosto para esconder a alegria de torturar os pobres e desavisados “leigos”. Realmente este Deus está morto e cuidado pois a sentença dos salmos realmente é verdadeira, tornam-se semelhantes a eles todos os que o pregar e adoram.
Como sofri quando descobri tal coisa, o Deus que tinha seguido toda minha juventude não passava de uma imagem da cabeça de uns doentes. Lembro que quando percebi tal coisa todas as minhas buscas me passaram a mente, quando procurei o Deus tão distante que não consegui alcança-lo, depois um tão sério de quem tive tédio, o outro era carrancudo que tive medo, e quando tudo isso estava passando em minha mente, alguém sentado ao meu lado me falou, “o problema é que você procura nos lados errados”, respondi afirmativo com a cabeça e dali levantei com este que me falava e fomos brincar, foi então que descobri o Deus criança que tinha acabado de ressuscitar, longe dos doutores da lei, dos pastores detentores de todo o conhecimento, mas perto de mim, meu amigo, e quando perguntei como ele gostava de ser chamado ele me respondeu, como você gostar de me chamar, Deus amigo, Deus pai, Deus mãe e por ai vai.
A manifestação de Deus não partiu da religião, mas do coração de cada um, Deus é pessoal e não coletivo, nos chama de você e não vocês, o Deus da religião morreu, mas o verdadeiro e ETERNO Deus pode ressuscitar todos os dias, quando o descobrimos de nosso lado, cuidando de nós, quando experimentamos sua irresistível graça, quando brincamos com ele, quando passeamos em seus jardins.
O ETERNO quer ressuscitar dentro de cada um de nós, seja como o PAI, a MÃE, o IRMÃO, o AMIGO, ai cada um vai dizer, contanto que se possa chamar “meu”.


Com carinho,

Clarence Santos

terça-feira, 21 de novembro de 2006

"Estorias do Afogado"


Hoje pela manha estive com um grupo de jovens de uma escola, uma turma que me convidou pra falar com eles a respeito de religião, assunto duro... pelo menos às vezes, passeamos pelo cristianismo, uma visita pela historia da igreja de Roma, muitos questionamentos, muita visão diferente, foi então que decidi contar-lhes uma historia, originalmente foi contada por Gabriel Garcia Marques, bom escritor, mas na verdade escutei de outro, o Rubem Alves, poeta, um teopoeta, e é essa historia que gostaria de compartilhar com vocês, “A historia do Afogado”:

Numa dessas praias gostosas, perdidas num desses litorais de paises como o Brasil, paradisíacos, havia uma aldeia, e como quase todas as aldeias em beira de praia, eles viviam da pesca, uma aldeia de pescadores. Eles viviam uma rotina muito comum a ambiente como este, acordar cedo, madrugada, ir pescar, voltar, vender, criar uma família nesse estilo, quase meio que um piloto automático, muito raro alguma coisa quebrava a rotina deles, sempre o mesmo, nada novo.

Mas a vida daquela aldeia não estava destinada a viver sempre daquela forma, tudo aconteceu numa manha que parecia igual a qualquer outra manha, os homens saíram para pescar, suas mulheres ficaram preparando a comida, e perto da hora deles chegarem suas crianças começaram a brincar perto da praia enquanto esperavam seus pais, até que no meio da brincadeira uma das crianças avista algo estranho, uma coisa meio sem forma boiando no mar, ainda tava longe, não dava pra saber o que era, correram pra perto, e esperaram até que a maré trouxe para perto, e todos se espantaram quando perceberam que o que boiava era um corpo, um homem que havia se afogado, chamaram seus pais, eles olharam e pensaram o que fazer, mas só existe uma coisa a se fazer com um corpo morto, enterrar, e foi o que fizeram.

Naquela aldeia eles tinham um ritual muito próprio para enterrar seus mortos, as mulheres entravam com o corpo em uma sala e os homens ficavam do lado de fora enquanto elas preparavam o defunto, e foi o que fizeram com o afogado, levaram para sala, e os homens ficaram do lado de fora da casa, mas ai começaram a sentir algo estranho, diferente dos outros enterros que já haviam feito naquela aldeia, que eram sempre regados de muita conversa e lembranças sobre o morto, naquele pairava o silencio, nada tinham a falara a respeito daquele homem, não o conheciam, não tinha lembranças, então todos ficaram calados, os homens sentados do lado de fora, e as mulheres preparando o corpo em silencio dentro da sala, até que o silencio se quebra, uma das mulheres, olhando para o nada-tudo comenta com as outras: “Ele era tão alto, imagino que para entrar em qualquer uma de nossas casas ele precisasse se abaixar” as outras mulheres deram um sorriso tímido e continuaram o trabalho, então outra comenta também, “suas mãos eram tão fortes, mas ao mesmo tempo muito delicadas, como seria o seu abraço? Creio que muito gostoso, todas riram”, então outra empolgada com a conversa, após fitar com profundidade seu rosto comenta, “como seria sua voz? Forte? suave? Será que ele sabia dizer as palavras que quando ditas fazem com que uma mulher apanhe uma flor e ponha no cabelo?”, e todas riram novamente, os homens escutando aquelas risadas começam a achar estranho, como num momento desses elas conseguem rir, então resolvem olhar pela janela e escutar o assunto, quando percebem do que se trata, eles começaram a comentar aquela cena, e por incrível que pareça com um certo ciúme de suas mulheres, e daí começam a criar suas próprias historias do afogado, questionam sobre sua profissão, suas historias e muitas outras, o homem morto começa a dar vida a vida daquela aldeia.

Depois do enterro, naquela noite, todos se juntaram ao redor da fogueira e começaram a conversar e contar estórias sobre o afogado, cada um tinha sua estória, colocava pra fora sua imaginação, e depois daquele dia ninguém na aldeia foi o mesmo, sempre se reuniam e começavam a contar estórias sobre o afogado, também a rotina deles mudou, as mulheres começaram a colocar seus sonhos e desejos pra fora, os homens sempre tentavam superar aquele super-homem, e assim eles foram, aquele morto trouxe vida aquele povo, trouxe sonhos, mudou a estória daquela aldeia e naquele momento o afogado ressuscitou na vida de cada um deles.

Muitos anos se passaram desde aquele episodio, mas as estórias continuaram, os mais jovens se sentavam aos pés dos mais velhos e ao redor da fogueira escutavam aquelas lindas estórias sobre o afogado, e assim aquela aldeia seguiu.

Depois de algum tempo alguns começaram a ficar com medo de que as estórias do afogado se perdessem e começaram a organiza-las em livros, fizeram uma reunião oficial pra contarem suas estórias, decidiram algumas pessoas escolhidas e ordenadas para isso, criaram uma organização, detentora das estórias oficiais do afogado, a “igreja do afogado”.

Alguns não gostaram daquilo, e continuaram a sentar e viver as estórias do afogado da forma antiga, despertando seus sonhos do jeito que eles vinham, não foram bem vindos pela igreja do afogado, praticamente excomungados, mas não deixaram que aquilo mexesse com o que eles acreditavam, o afogado sempre iria muito mais do que lhes dar uma religião, iria lhes dar sonhos, iria lhes dar vida.

Ai termina a estória do afogado, mas ai é que começa a nossa, precisamos não simplesmente sentar e engolir as estórias que outros escreveram, precisamos sentir e escrever nossos sonhos, o afogado não trouxe nada novo, despertou o gigante adormecido dentro daquelas pessoas, e é isso que ele quer fazer conosco, seja qual for o seu afogado.

“SONHEM, VIVAM, CONTEM E ESCREVAM ESTORIA, A SUA ESTORIA!”


Com carinho,

Clarence Santos

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

"Deus e o Tapete"


"Entendendo um Deus invisível"

A muito tempo que não escrevia, já estava com saudades e pensando qual seria o próximo texto, foi quando neste turbilhão de pensamentos comecei a pensar sobre tudo que estava acontecendo comigo, e ai veio aquela vontade imensa de conversar com alguém, aquelas horas em que você quer alguém perto de você nem que seja para te distrair um pouco, foi aí que pensei “Puxa Deus, bem que você poderia se materializar, pelo menos agora, só pra gente conversar um pouco” fiquei pensando sobre isso e por aí o pensamento me levou.

Ontem estive pregando numa cidade aqui perto, Deus abençoou muito, fiquei impressionado com o que ele operou naquele lugar, ao termino do culto uma irmã da comunidade nos convidou para um lanche em sua casa e lá fomos nós, quando entrei na casa da irmã algumas coisas me chamaram a atenção, primeiro foi o gosto dela pela cor laranja, acreditam que até o sofá dela é laranja, mais é muito bonito, mas a segunda coisa que me chamou a atenção foi um tapete enorme que estava no chão, daqueles que mais parecem um painel, ele era realmente lindo, passei um tempo olhando e admirando e pensando sobre quanto tempo levou pra que ele ficasse daquele jeito, foi então que me lembrei sobre algumas coisas que vi em um documentário sobre estes tapetes artesanais, eles são feitos sobre uma tela, e pelo entrelaço de fios nesta tela começa a surgir a forma, as cores, a beleza, sem ela os fios cairiam no nada, mas com ela toda a beleza nasce.

Talvez você esteja pensando, “o que deu nele, uma hora falando de Deus outra de tapete”, mas é que eu vi uma coisa muito interessante, Deus e o tapete têm muita coisa em comum, enquanto estava olhando o tapete e me lembrava deste documentário, comecei então a procurar a tela em que ele é feito, olhei de um lado, de outro, mas não consegui ver nada, foi então que comecei a puxar algumas linhas e vi que ela estava lá. Deus é a tela, nossa vida, nossos sonhos são as linhas, pra ter beleza, pra dar forma ao painel é preciso da tela, nós precisamos de Deus pra dar forma a nossa vida, pra dar beleza e cor aos nossos sonhos, ele é a tela pelo qual tecemos cada parte bela de tudo o que imaginamos, sem ele, sem Deus são só linhas jogadas no ar, sem a tela tudo se desmancha, nós precisamos dele.

Outra coisa que comecei a pensar, a tela desaparece para que o belo apareça, embora não a vemos ela esta lá, embora não apareça ela é necessária pra que tudo aquilo tenha vida, Deus se revela em nós pela beleza que ele quer dar a nossa vida, Deus se mostra pelo que ele nos dá, embora invisível aos olhos, ele está lá, se vemos um tapete feito desta forma, sabemos que embora não a vemos mas a tela esta lá, se vemos uma vida colocada nas mãos de Deus, embora não o vendo mais sabemos que ele está lá, pois um tapete só é bem feito se a tela está lá e uma vida só é bonita, um sonho só é bem realizado se Deus estiver lá.

Deus tem uma proposta pra você, ele sabe que você tem suas linhas, isto é, seus sonhos, a vontade de ser feliz e abençoado, Deus hoje te dá a linha e diz, sobre mim, realize seus sonhos, sobre mim tenha uma vida abençoada, sobre mim, seja feliz, de forma e beleza a sua vida.


Com carinho,

Clarence Santos
clarence_santos@hotmail.com.br

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

"A Casa da Avó de DEUS"




Estes dias resolvi fazer uma visita a casa da minha avó, pessoa muito doce, aliás, isto deve ser algo que se ensinei no curso de formação de avós, porque geralmente é como elas são. Doces, gentis, cuidadosas, nos enchem de mimos. As lembranças de minha infância, das visitas a casa de minha avó são as mais gostosas, mas hoje senti algo mais forte do que o normal, resolvi descer um poço mais longe da minha parada habitual, queria andar, ver como estava o bairro, ver se as casas, a vizinhança tinha mudado muito, e pra meu espanto estava tudo como era antes, voltei a ser criança...
De todas as coisas que senti, uma realmente mexeu com minha cabeça, quando me aproximava da casa de minha avó, já de uma certa distância, comecei a sentir o cheiro, o cheiro da casa de minha avó, e aí mais do que lembranças, eu revivi algo que estava guardado bem lá dentro. Uma criança, passou na minha frente sem pedir licença, me atropelando, olhando com uma carinha abuzada, e só aí percebi que aquela criança era eu, minha infância voltou, e minha criança voltou junto com ela.
Um cheiro me levou a minha época favorita, a minha casa favorita, a tudo que muito amei, apenas um cheiro, às vezes me pego procurando alguém num shopping simplesmente porque senti um cheiro comum, que poder um simples aroma tem, o de nos transportar pra outros lugares, outras épocas, o de nos trazer pessoas que estão longe.
Nessas horas me lembro da poesia sagrada, quando uma das coisas que Deus expressa gostar no culto é o aroma suave dos sacrifícios (Gn 8:21). O que será que vem na memória de Deus quando ele sente estes cheiros? Do que ele lembra? Do que ele sente saudades? Fiquei por muito tempo pensando nisso e procurando uma resposta até que ela me veio. A resposta da saudade de Deus.
Um dia Deus estava sentado no trono, quando despercebido sente um cheiro, suave, gostoso adentrando a sala do trono, fecha os olhos e começa a saborear, as lembranças que este aroma o traz, porem mais do que isso acontece, ele começa a viver e reviver tudo o que o cheiro lhe traz, então a criança Divina surge pra brincar, não contente com tudo aquilo deseja mais, procura alguém especial, chamada Maria e lhe toma emprestado o ventre, o menino Deus mostra na figura de Jesus de Nazaré a resposta de sua saudade, a resposta do seu amor, é Ele nos dizendo, quero estar perto e vocês, o cheiro que vocês exalam me faz ter vontade de estar com vocês.
O cheiro da casa da minha avó me faz não ter vontade de sair de lá, o cheiro da adoração faz com que Deus não tenha vontade de sair de perto do adorador, a adoração é a morte da saudade de Deus, por isso que ele procura adoradores que o adorem em espírito e em verdade, aqueles que tem um cheiro especial, isso não fala de rituais ou coisas parecidas, fala de corações apaixonados, Deus tem saudade de você.
Maninho, qual o cheiro que Deus tem sentido de você? Ele tem sentido algum? Não tenha medo, sinta o cheiro e exale o cheiro, viva e deixe viver a infância de Deus em você.

Às vezes penso que sou a casa da avó de Deus...

Com carinho,