sexta-feira, 24 de novembro de 2006

"DEUS MORREU"


"Uma denuncia!"
Uma das frases mais fortes que já ouvi, abominadas com horror por muitos teólogos e pastores é geralmente colocada na boca de um dos grandes filósofos do século 19/20 chamado Friedrich Nietzsche, que é “DEUS MORREU”, ele coloca esta frase num de seus livros mais interessante, “Assim falava Zaratustra”, e ele a coloca no seguinte contexto, contando o encontro entre Zaratustra e um monge ermitão, que após um dialogo se despedem e por fim Zaratustra fala: “será que ninguém avisou a este pobre homem que Deus morreu?”.
Nietzsche foi um filho de pastor luterano e conheceu como muitos falam “A palavra”, em uma época chegou a estudar teologia em um seminário, porém deixou, desistiu de tudo aquilo e foi procurar respostas em outro lugar, entendo o Nietzsch, sei bem o que ele passou e acredito que a resposta dele a sua vida, declarando a morte de Deus, não só é compreensível como também verdade.
A minha primeira crise de fé que me recordo ter tido foi mais ou menos aos oito anos, andava bem e feliz com minha vida de cristão, nasci e cresci dentro de uma igreja batista, mas a minha paz e alegria tinham tempo para acabar, até escutar em uma mensagem do pastor num domingo algo que me chocou, “se você não tiver fé, você está condenado ao inferno”, aquilo teve um peso dentro de mim fora do comum, pois acreditava em Deus, fazia tudo o que a religião pedia, cuidava para não me pegar em alguns daqueles pecados mortais (tipo escutar musicas mundanas e não me masturbar... rsrsrsrs...) mas o que danado era fé, não tinha noção do que era aquilo, só sabia que se não tivesse Deus me mandaria para o inferno num piscar de olhos, passei noites sem dormir até que aquilo fosse embora, não que tivesse me abandonado, mas na verdade houve só uma troca de carrasco, pois agora o meu carrasco era o próprio DEUS, que nas minhas normais e recatadas experiências de adolescente vivia com seus olhos a me espreitar, com um tridente que pedira emprestado do diabo a espetar meu coração em cada atitude, olhar ou no mínimo pensamento condenado pela detentora da salvação, a igreja. Isso só foi acabar quando comecei a perceber que nada daquilo poderia ser de Deus, que na verdade o Deus de minha igreja já havia falecido a muito tempo, só que tinham esquecido de avisar aos pobres fiéis que de adoradores não tinham nada, apenas morriam de medo do inferno e assim barganhavam com o cadáver que as igrejas chamam de Deus. Não culpo Nietzsche, o compreendo, concordo com ele, este DEUS MORREU!
Calma, não acendam as tochas ainda, terminem de ler e depois decidam, realmente uma das constatações mais obvia dos últimos dias é a da morte de Deus, e nestes últimos dias fiquei a cassa de seu assassino e descobri, nós somos os assassinos de Deus, com nossa incapacidade de entender a graça, com nossa mania de achar que Deus pensa exatamente como nós, com nosso velho habito de achar que a nossa experiência com Deus deve ser a experiência de todas as outras pessoas. Vivi oprimido por muito tempo com essas coisas, por líderes miseráveis que impõem cargas que nem eles conseguem suportar, esse Deus que eles pregam não existe, a não ser dentro do coração oprimido e opressor de cada um desses carrascos, que apenas o usam como mascara negra no rosto para esconder a alegria de torturar os pobres e desavisados “leigos”. Realmente este Deus está morto e cuidado pois a sentença dos salmos realmente é verdadeira, tornam-se semelhantes a eles todos os que o pregar e adoram.
Como sofri quando descobri tal coisa, o Deus que tinha seguido toda minha juventude não passava de uma imagem da cabeça de uns doentes. Lembro que quando percebi tal coisa todas as minhas buscas me passaram a mente, quando procurei o Deus tão distante que não consegui alcança-lo, depois um tão sério de quem tive tédio, o outro era carrancudo que tive medo, e quando tudo isso estava passando em minha mente, alguém sentado ao meu lado me falou, “o problema é que você procura nos lados errados”, respondi afirmativo com a cabeça e dali levantei com este que me falava e fomos brincar, foi então que descobri o Deus criança que tinha acabado de ressuscitar, longe dos doutores da lei, dos pastores detentores de todo o conhecimento, mas perto de mim, meu amigo, e quando perguntei como ele gostava de ser chamado ele me respondeu, como você gostar de me chamar, Deus amigo, Deus pai, Deus mãe e por ai vai.
A manifestação de Deus não partiu da religião, mas do coração de cada um, Deus é pessoal e não coletivo, nos chama de você e não vocês, o Deus da religião morreu, mas o verdadeiro e ETERNO Deus pode ressuscitar todos os dias, quando o descobrimos de nosso lado, cuidando de nós, quando experimentamos sua irresistível graça, quando brincamos com ele, quando passeamos em seus jardins.
O ETERNO quer ressuscitar dentro de cada um de nós, seja como o PAI, a MÃE, o IRMÃO, o AMIGO, ai cada um vai dizer, contanto que se possa chamar “meu”.


Com carinho,

Clarence Santos

Um comentário:

claudinha disse...

Muito lindo!!!
Suas palavras falam para o coração...E a nossa alma absorve.

limdo, lindo, lindo!!!!