terça-feira, 11 de dezembro de 2007

yogananda paramahansa


"A unidade das várias religiões só poderá se concretizar quando seus praticantes tornarem-se realmente conscientes de Deus dentro de si mesmos. Teremos, então, uma verdadeira fraternidade de homens sob a Paternidade de Deus."

sábado, 11 de agosto de 2007

“TENHO SAUDADES...”


Saudades, tenho aprendido muito com o amigo Rubem Alves sobre este tema, e muito mais com a vida, saudade tem virado muito mais que uma palavra ou sentimento para mim, tem se tornado um sacramento, visível em todos os outros e sempre necessária, na discursão que vemos escrita no banquete de Platão, Sócrates coloca que Eros só pode querer o que ele não tem, daí me veio que Eros esta diretamente ligado à saudade. Esta semana este foi um tema recorrente em meu coração, não só por estas filosofias e palavras a respeito dele, mas principalmente porque ele me tomou o coração de uma forma fora do comum e a primeira delas foi por causa de meu pai.

Meu Pai faleceu a vinte e três anos atrás, e esta data se fechou justamente esta semana, me deu um aperto, uma saudade, tive poucos momentos com ele, mas senti que posso sentir saudades de coisas que nem vivi, quando ele se foi eu tinha apenas três anos, e por mais que muita gente tentasse, aquele era o lugar dele e ninguém conseguiria assumi-lo, sendo assim, não senti saudades do que vivi com ele, mas sim do que poderia viver, e por causa disto muita coisa simples pra tanta gente se torna algo muito especial pra mim, disse a algumas semanas atrás que trocaria dez anos de minha vida por um dia com meu pai tamanha a saudade que tenho.

Isto me fez pensar em outra coisa, de como estava me sentindo só, comentei esta semana que tenho saudades de me apaixonar, mesmo sem nunca ter tido uma grande paixão, daquelas de tirar o fôlego tenho saudades dela, como disse antes, não pelo que alguma grande paixão já me fez, mas sim pelo que ela poderia fazer agora comigo, tenho vontade de viver uma dessas, mas também recheada de respeito, liberdade e segurança, sem posse, sem donos, só amantes apaixonados, o que me traz ao pensamento o que um amigo-mestre, o Martorelli, me falou esta semana, disse que amar assim era como criar pombos soltos, vou explicar, quando era pequeno em Jaboatão sempre saia um pouco mais sedo de casa para ver algo que adorava, no caminho da escola havia uma casa curiosa com algo que a destacava das outras casas, no quintal havia um monte de casinhas abertas empilhadas, sem grades e nelas muitos pombos, que eram criados soltos, sem gaiolas, eles voavam por ai, e podam ir a onde quisessem, mas sempre voltavam para aquele lugar, gostavam, se sentiam seguros, amados, respeitados, amar de verdade é criar pombos livres, assim Deus nos ama, com liberdade.

E ai vem ele de novo, quase todas as crônicas e textos que escrevo tenho, que tocar nele, mas fazer o que não é?! Quando penso em saudade e amor, logo ele me salta a mente, Deus, o ETERNO, tenho saudades dele também, queria que estivesse encarnado agora, mas o sinto, sinto seu amor, uma relação de criação de pombos, sou livre, mas quero estar com ele.

A saudade faz toda diferença, como diz Rubem, ela é a junção de amor + falta, sabe como, tenho em casa uma videira, meu avô me deu, e não só me deu, plantamos juntos, aos olhos de qualquer um ela é apenas uma videira, mas pra mim ela é diferente, como a pequena rosa no asteróide b-612 é para o pequeno príncipe, a minha videira é para mim, uma presença que marca uma ausência, que fala de amor, tristeza, alegrias, antropofagia, uma eucaristia, não é isto que nos ensina o nazareno, “fazei isto todas as vezes em memória de mim...”.

Bem o texto hoje foi diferente dos outros, um desabafo, mais, uma confissão, vocês? Meus confessores, e esta foi ela, tenho saudades de meu pai, tenho saudades de me apaixonar, tenho saudades de Deus, e como é bom que assim seja, pois na saudade mora a presença de uma ausência, na saudade mantenho vivo um amor, na saudade, na saudade...

Com carinho e saudades,

Clarence Santos

“Frater, Teólogus minor et Peccator”

clarence_santos@hotmail.com

À Clarence Gomes dos Santos, o homem sem o qual eu não seria nada...
Te Amo meu PAI, trocaria não dez, mas mil anos se os tivesse por um dia com Você...
Feliz Dia dos Pais!

(Escrito em 26/04/2007)


terça-feira, 22 de maio de 2007

“MEA CULPA... SOU POETA!”



Um dos lugares dos quais sempre me vi sentado foi o banco dos réus, às vezes por vontade, outras por imposição, mas sempre lá. Dificilmente em momentos de minha vida me vi sentado em outros bancos, e confesso que nunca me incomodou isso. Gosto desse lugar eu me identifico com ele, o que às vezes me incomoda é o motivo, sempre achava que faltava algo mais. Bem, tudo começou no inicio do meu ministério, quando comecei minha vida de pregador (para alguns desavisados, sim, eu sou pastor, não é apenas um apelido...), sempre gostei de falar em publico, de expor minhas idéias, colocar ao povo aquilo que o ETERNO colocava em meu coração, porem o que sempre buscava era saber a melhor maneira de fazê-lo, então comecei falando a língua do publico, do povo que me escutava, pensei que era assim que eles gostariam, se sentiriam honrados e entenderiam o que eu falava, engano meu, fui para o banco de réus, acusação? Eu era muito rasteiro, faltava-me algo mais, mais mistérios diziam eles, queriam não um pregador que falasse o que eles vivessem, e sim das coisas ocultas do céu e do inferno. Então mudei. Virei teólogo.
Daí então começou uma nova fase de minhas pregações, comecei a flertar com grandes teólogos e a trazê-los para minhas mensagens, Karl Barth, Paul Thilich, Batista Mondin, começaram a ser grandes parceiros em minhas mensagens, fazia-mos muitas coisas juntos, me ajudaram muito, estava empolgado, mas ai quando pensei estar tudo bem, lá estava de novo no banco/bando dos réus, sentado, sem entender muita coisa, minha culpa? Tinha exagerado, teológico demais, difícil não só de entender, mas de engolir, e pior, de digerir, isso me doeu, mas tudo bem, vamos seguir em frente, o que fazer agora? Teria de crescer na mensagem, porem ainda alcançar o ser humano, a alma, tocar mais fundo, pró-fundo, pensei... pensei... E decidi, o que me falta é psicologia, e comecei a navegar por essa área, conheci novos companheiros, Karl Rogers, Ruth Staplaton, me ajudando com a cura interior, me ensinado a trabalhar a criança interior de cada individuo, fiquei mais uma vez super empolgado, confesso que mais que da vez anterior, porem, mais uma vez, estava eu, sentado entre os acusados, pensei ser implicância, mas tudo bem, acatei, e decidir lutar de novo.
Comecei agora uma quarta fase, disseram-me que deveria entrar na alma, mas não sair do mundo real, entender o homem como um todo, daí comecei com o pacto de Lausane, fantástico, um compendio interessante e completo sobre o trabalho da igreja, o evangelho todo, para o homem todo. Nesse caminho conheci Dom Helder Câmara, Frei Beto, Leonardo Boff, as Comunidades Eclesiais de Base, a teologia da libertação, antropologia, mais uma vez me empolguei, me engajei, pregava sobre a libertação da opressão, um povo de Deus livre e agora mais do que nunca estava mais uma vez entre os criminosos, não entenderam e lá estava eu novamente com os meus inquisidores, indignado, porem disposto a lutar, criar, mudar se fosse preciso, e foi o que fiz, diziam que precisava atingir o intelecto, e lá fui eu, filosofia, virei filósofo.
Outro caminho que adorei, conheci grandes homens os quais me ajudaram, depois de uma leitura antropofágica acabei incorporando-os e trazendo-os a existência, Sartre, Kant, e um que me apaixonou, Nietzsche. Usava os seus textos, interpretava suas palavras em minhas pregações, me apaixonei e apaixonei outros, tentei não levar meus pensamentos a eles, mas sim os fazer pensar. Creio que deu certo, mas isso é perigoso, pensaram alguns, o povo pensando? E adivinhem... Lá estava eu de novo...
Mas não ligava mais, quando conheci Nietzsche aprendi muito, e algum tempo depois deixei de vê-lo como filósofo, o vi de outra forma, comecei também a trabalhar e falar de outra forma, parei para a beleza, para a saudade, conheci outro amigo, o Rubem Alves, e daí aprendi a ver o ETERNO nisso tudo, aprendi a ver a beleza do pôr-do-sol, o nascer do sol, as flores, daí fui pra ultima acusação, fui acusado de poeta.
Meu coração se alegrou agora, não mais inquieto, porem feliz, comecei a conhecer outro, um nazareno, carpinteiro, chamava-se JESUS, logo vi que tinha algo diferente, em suas palavras falava de beleza, “olhai as flores do campo, os lírios, os pássaros", despertava algo diferente nas pessoas, algo que nem teologia, bons discursos, filosofia, antropologia, psicologia podem gerar, só a poesia, conversas do coração, e daí conheci o JESUS poeta.

Quando vi isso me tranqüilizei.

Quando percebi isso me alegrei.

Sentei no banco dos réus,

Olhei bem meus acusadores,

E com o coração tranqüilo lhes disse,

Dessa vez...

“Mea Culpa, Mea Culpa, Mea Máxima Culpa...”.

Cheguei onde queria

Sou poeta!



Com Carinho,


Clarence Santos
“Frater, Theologus minor et Peccator”

clarence_santos@hotmail.com

sábado, 5 de maio de 2007

“OS DESENHOS DO CREPUSCULO”



Fim de tarde, por do sol, crepusculo.


Fui caminhar na praia neste que pra mim é o melhor horario, aproveitei, sentei e escrevi, na verdade estou escrevendo, a cada tarde estou escrevendo, há quem prefira a manhã, o sol forte, corpos bronzeados, cara de verão, saúde, já eu prefiro o crepusculo, o sol já não tão forte, se despedindo, as nuvens avermelhadas, o barulho das ondas (que durante os outros horarios é abafado pelo som de vendedores e outras amantes do sol forte), e a água gostosa a tocar os pés, tudo imcomparavelmente lindo, tem um sabor a mais, como falam, o gosto de “quero mais”.


Mas todo o meu amor pelo crepusculo não é só pela beleza estetica, embora sobre essa beleza Rubem alves fala algo interessante, “Depois são as cores. O céu azul prufundo, as árvores e grama de um outro verde, misturado com o dourado de sol inclinados. Tudo fica mais pungente ao cair da tarde, pelo frio, pelo crepusculo...”, mas o que sentimos tambem é por uma beleza que se ve dentro da gente, um sentimento estranho, porém gostoso, tristemente alegre que nos invade, nos rouba, nos torna refem, uma ausencia a nos completar o coração dificil de esplicar. Dificil porque nos esconde algo, guarda algo, faz que mostra mas na verdade não o faz, deixa que nossa imaginação cuide disso. Ao que Jorge Luis Borges falava, “A gente vai andadno, solidamente, e de repente vê um por do sol, e esta perdido de novo”. E Fernando pessoa falava, “É este poente precoce e azulando-se o sol entre os farrapos de nuvens, enquanto a lua é já vista, mistica, no outro lado”. “uma ultima cor penetrando nas árvores até os passaros, e este cantar de galos e rolas, muito longe”, comleta Cecília Meireles.


Enquanto caminho um amigo me liga, a menos de uma semana relizei seu casamento, me falava na ligação que viajaria á algumas horas e gostaria de despedir-se, então me veio, o crepusculo, por-do-sol é uma eterna despedida que o dia nos dá, e nel encontramos todas as nossa outras despedidas, as nossas saudades e desejos de reencontros, esta mistura de amor mais ausencia que vem trazer sentimentos tão gostosamente triste e tristemente alegres. Saudade, esta eterna fome que sente o corpo, porem tambem a alma e que marca dentre tantas a intensidade do amor. Quanto mais amor mais saudade, quanto mais saudade mais alegria e prazer no reencontro. Talvez por isso Socrates fala a Ágaton, transcrito no texto de Platão, que Eros não é completo, mas a eterna busca do que lhe é ausente no ser amado, o que me leva viajar pensando que Sócrates deve ter pensado tudo isso num fim de tarde nas praias da grecia.


Quando sento no fim de tarde para ver o por do sol, crepusculo, vejo o ETERNO, sinto o ETERNO, me sinto no ETERNO...


Daí me vem aquela insatisfação, busca pelo mais, sou grato mais insatisfeito, a busca do completar, do retornar, saudades...


É o que sinto sentado na praia de candeias ao fim da tarde,


E ai me lembro,


Vejo,


Meu Pai hoje distante,


Meus amigos distantes,


As borboletas que a muito não visitam meu jardim,


Deus, o ETERNO,


Todos alí, marcados nas nuvens avermelhadas, tudo de que tenho saudades.


Cai a noite, fecho o,bloco de notas, guardo a caneta e me vou, esperando o amanha, e amanha ve-los novamente, nova despedida, novo crepusculo, nova saudade, e assim vivo,pois como dizia o amigo Riobaldo, “Toda saudade é um pouco de velhice...”



Com carinho,


terça-feira, 30 de janeiro de 2007

“QUERO APRENDER A DESAPRENDER”

Hoje estava comentando que às vezes preferia não saber tanto a respeito das coisas que gosto, principalmente no que diz respeito à fé, queria não conhecer tanto, não ter me aprofundado tanto, existem coisas que a gente não devia saber, apenas sentir, tem assuntos que não devem invadir a cabeça da gente, apenas o coração, o mundo dos sentidos e não do saber. O que me faz lembrar de minhas aulas de biologia no colégio agrícola, era um colégio muito bom, nossas aulas não se davam apenas no teórico, mas também no pratico, tínhamos laboratórios onde realizávamos nossas experiências, e pensando a respeito do assunto que comecei, lembrei de uma de nossas aulas onde estávamos estudando o organismo dos anfíbios, utilizamos para isso um sapo, cada grupo teve acesso ao cadáver de um, abrimos, estudamos, olhamos cada coisa, alguns com uma curiosidade tremenda, outros, principalmente algumas garotas, com um nojo terrível, mas surtiu efeito, aprendemos realmente muita coisa, mas ao final a grande constatação, o sapo estava morto, sabíamos quase tudo a seu respeito, mas não sabíamos como lhe devolver a vida, pobre sapo. A fé é parecida, quando mexemos demais com ela, analisamos demais, estudamos demais o que nos sobra são algumas poucas conclusões, mas perdemos o essencial, a fé viva. Por isso meu medo de ir mais a fundo.
Lembro-me também de uma estória que aprendi com Rubem Alves, é uma parábola que conta um dialogo que aconteceu entre uma centopéia e um gafanhoto:

“Conta-se que, um dia, um gafanhoto encontrou-se com uma centopéia que descansava no meio da folhagem.
- Dona Centopéia, eu tenho pela senhora a maior admiração. Deus Todo-Poderoso me deu apenas seis pernas. Para a senhora ele deu cem. Assombra-me a elegância tranqüila do seu andar. Todas se movem na ordem certa. Jamais vi uma centopéia tropeçar. Mas, por isso mesmo, tenho uma curiosidade: quando a senhora vai começar a andar, qual a perna que a senhora mexe primeiro?
- Obrigado pelos elogios, senhor Gafanhoto – respondeu a Centopéia – Sua pergunta é muito interessante porque eu mesma, até hoje, nunca pensei no assunto. Sempre andei sem pensar. Perdoe minha ignorância. Jamais fui à escola do andar certo. Não fui conscientizada. Andei sempre um andar ignorante. Mas agora vou prestar atenção...
Conta-se que desde esse dia a Centopéia ficou paralítica.”

Tem coisas que não nos é dado mexer, tem conhecimentos que como fala o poema sagrado, devem ficar apenas com o ETERNO, e é por isso que digo, às vezes queria saber menos, não quero viver a “Síndrome da centopéia”, quero ser livre para andar, mesmo sem saber como o fiz. Quando olho alguns cientistas ao meu redor, homens e mulheres do conhecimento percebo a realidade disso, tantos conhecimentos guardados dentro da cabeça, e nada de vida dentro do coração, tantos títulos, mestres, doutores, honras, mas que pra vida não passam de papeis, tudo tão infantil, e quando falo infantil, não estou falando das crianças, pois as crianças é que sabem viver, estou falando de uma infantilidade mas pra adolescente, vontade de ser grande sendo criança.
Fico pensando o que nos resta diante disso tudo, qual a saída, e a única que me vem a mente é o desaprender, esquecer os meios e métodos e procurar na verdade razoes para a vida, meu amigo Rubem já dizia: “Os conhecimentos nos dão meios para viver. A sabedoria nos dá razões para viver.” E é isso que procuramos, mas onde encontrar a sabedoria? Resposta: em nós mesmos. Temos em nós tudo isso, mas os saberes nos afundam e tiram a vida de nossa fé, talvez por isso do poema de Fernando pessoa:

“O essencial é saber ver –
Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender...”

“Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Deslumbrar-me e ser eu...”

E não só ele, neste coral se juntam outros grandes também como o Riobaldo, este sim homem sábio que dizia: “O corpo não translada, mas muito sabe; adivinha se não entende”. “A gente só sabe bem aquilo que não entende.” Nietzsche e Riobaldo se dariam muito bem pois eram de opiniões parecidas “O homem que está bem sabe como esquecer, para isso ele é forte o bastante, há mais razão no seu corpo que na sua melhor sabedoria”, ao que Barthes concorda. “Desaprender os saberes acumulados a fim de aprender a sabedoria não dita do corpo”.
O que procuramos conhecer não deve existir de graça, e nem a qualquer custo, o que temos deve antes de ser “sabido”, ser “saboreado”, antes de ser entendido, ser experimentado, sabedoria não é conhecer muito e se encher de saberes, sabedoria é aprender a viver.



“Os que tem saber não são sábios; os que são sábios não tem saber.”
Tão-Te-Ching,
Poema LXXXI




Com carinho,
Clarence Santos

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

“MORRIA DE MEDO DE DONA LÚCIA”


Tem assuntos que quando escrevo sei que vou chegar ao coração de alguns e de outros não, chegam fundo em determinadas pessoas, já em outras passa raspando, cada pessoa é um mundo já diz a sabedoria popular, mas tem alguns assuntos que creio são universais, são comuns a todas as pessoas e o de hoje é um desses, O MEDO. Todos já experimentaram de uma forma ou de outra o medo, pra alguns ele se torna um aliado, é aquele que nos livra de algumas situações realmente difíceis, já para outros ele vem se tornando numa maldição, e quando não dominado ele vira uma fobia e assim a ruína de uma vida tranqüila, estou realmente cansado de ver hoje casos do transtorno do pânico, que é uma forma excessiva de medo, mas em todos os casos, embora as respostas sejam diferentes, o medo é um sentimento comum aos seres humanos.
Mas você com certeza deve estar se perguntando, baseado no titulo deste texto sobre o é que ele quer falar? Na verdade vou contar uma situação, quase uma confissão, sobre algo que me passou estes dias e o que eu aprendi com isso, e assim abro meu coração para dizer: morria de medo de Dona Lucia. Com certeza você não deve estar entendendo nada, mas vou tratar de explicar, uma das famílias que o ETERNO me deu como presente a conhecer estes dias foram os Loureiros, família super simpática que com certeza tem algo de muito especial com o ETERNO, o primeiro que conheci deles foi o Diogo, bom companheiro, depois suas irmãs que são realmente poços de simpatia, mas quando vi sua mãe, a Dona Lucia, pela primeira vez não sei explicar o que me aconteceu, tive realmente medo, fiquei meio paralisado, sem saber o que falar, sem saber o que fazer, e não foi nada que ela tenha feito, ou que ela tenha dito, pois não fez, nem disse nada de errado, e com certeza não foi sua aparência que me assustou, pois suas filhas serão realmente belas se herdarem a metade de sua beleza, por mais que eu tentasse me enganar crendo que era apenas um respeito excessivo, o que tinha era simplesmente medo e daí a coisa só foi aumentando, era só falar em ir na casa do Diogo que já mudava logo de assunto, e se fosse o caso de ligar, só depois de uma oração para que o ETERNO fizesse outra pessoa atender, não queria contato o mínimo que fosse e assim fui driblando tudo isso.
Porém tudo isso tinha uma hora para acabar, e eu tinha consciência disso, e esse dia chegou, noite de reveillon, por motivos que deixo escapar desta vez decidi junto com outros amigos, que logo após romper ano com a família iríamos nos encontrar numa tenda que os Loureiros armaram na praia, e assim aconteceu. Fui na minha inocência sem nem imaginar o que aconteceria, me descuidei e quando menos esperei estava, frente a frente com a situação que sempre evitara, estava para ser apresentado a Dona Lucia, e assim aconteceu, e tal foi à surpresa, quando conheci uma senhora gentil, simpática, educada e super atenciosa, que em todas as suas atitudes nos deixou muito à vontade, fiquei tranqüilo, feliz em estar errado e um pouco envergonhado de ter deixado que tudo isso me tomasse e me impedisse de a ter conhecido antes, hoje tudo passou.
Cada coisa que vivo me faz pensar muito, e vocês sabem que nos meus pensamentos “viajo um bucado”, estava outro dia associando isso com nossa relação com Deus, muitas vezes por mais que pensemos que seja respeito, nossa relação com o ETERNO não é nada mais do que uma relação de medo, medo do inferno, medo do castigo, medo do desconhecido, por muito tempo Deus esteve longe em minha vida, e por mais que os sermões me dissessem o contrario, queria era manter tudo como estava, não gostava do deus que me mostravam, e não foi nada de momento, foi algo que foi crescendo dentro de mim desde criança, principalmente quando escutava uma musica terrorista que vinha da casa do meu visinho que dizia: “deus é amor, mas também é justiça, não brinque com deus, pois ele esta na sua mira!”, e assim a única imagem que tinha dele, era a de um velho sádico com uma arma de raios nas mão, babando pela oportunidade dada por um deslize meu para me acertar. Foi então que fui apresentado a Ele, e assim tudo mudou, só amamos o que conhecemos, como não procuramos conhecer Deus o que nos resta é teme-lo, mas tudo isso pode ser diferente, pois ele está agora armando uma tenda perto de você, dentro de você, maluco pra passar um momento com você, e assim ter uma oportunidade de conhecer e ser conhecido, de amar e ser amado e assim experimentar o que nos fala o poema sagrado que diz: “O verdadeiro AMOR lança fora todo o medo!”.
Eu experimentei, com Dona Lucia e com Deus, e não me arrependi, vai tentar?!



com Carinho,

Clarence Santos