terça-feira, 22 de maio de 2007

“MEA CULPA... SOU POETA!”



Um dos lugares dos quais sempre me vi sentado foi o banco dos réus, às vezes por vontade, outras por imposição, mas sempre lá. Dificilmente em momentos de minha vida me vi sentado em outros bancos, e confesso que nunca me incomodou isso. Gosto desse lugar eu me identifico com ele, o que às vezes me incomoda é o motivo, sempre achava que faltava algo mais. Bem, tudo começou no inicio do meu ministério, quando comecei minha vida de pregador (para alguns desavisados, sim, eu sou pastor, não é apenas um apelido...), sempre gostei de falar em publico, de expor minhas idéias, colocar ao povo aquilo que o ETERNO colocava em meu coração, porem o que sempre buscava era saber a melhor maneira de fazê-lo, então comecei falando a língua do publico, do povo que me escutava, pensei que era assim que eles gostariam, se sentiriam honrados e entenderiam o que eu falava, engano meu, fui para o banco de réus, acusação? Eu era muito rasteiro, faltava-me algo mais, mais mistérios diziam eles, queriam não um pregador que falasse o que eles vivessem, e sim das coisas ocultas do céu e do inferno. Então mudei. Virei teólogo.
Daí então começou uma nova fase de minhas pregações, comecei a flertar com grandes teólogos e a trazê-los para minhas mensagens, Karl Barth, Paul Thilich, Batista Mondin, começaram a ser grandes parceiros em minhas mensagens, fazia-mos muitas coisas juntos, me ajudaram muito, estava empolgado, mas ai quando pensei estar tudo bem, lá estava de novo no banco/bando dos réus, sentado, sem entender muita coisa, minha culpa? Tinha exagerado, teológico demais, difícil não só de entender, mas de engolir, e pior, de digerir, isso me doeu, mas tudo bem, vamos seguir em frente, o que fazer agora? Teria de crescer na mensagem, porem ainda alcançar o ser humano, a alma, tocar mais fundo, pró-fundo, pensei... pensei... E decidi, o que me falta é psicologia, e comecei a navegar por essa área, conheci novos companheiros, Karl Rogers, Ruth Staplaton, me ajudando com a cura interior, me ensinado a trabalhar a criança interior de cada individuo, fiquei mais uma vez super empolgado, confesso que mais que da vez anterior, porem, mais uma vez, estava eu, sentado entre os acusados, pensei ser implicância, mas tudo bem, acatei, e decidir lutar de novo.
Comecei agora uma quarta fase, disseram-me que deveria entrar na alma, mas não sair do mundo real, entender o homem como um todo, daí comecei com o pacto de Lausane, fantástico, um compendio interessante e completo sobre o trabalho da igreja, o evangelho todo, para o homem todo. Nesse caminho conheci Dom Helder Câmara, Frei Beto, Leonardo Boff, as Comunidades Eclesiais de Base, a teologia da libertação, antropologia, mais uma vez me empolguei, me engajei, pregava sobre a libertação da opressão, um povo de Deus livre e agora mais do que nunca estava mais uma vez entre os criminosos, não entenderam e lá estava eu novamente com os meus inquisidores, indignado, porem disposto a lutar, criar, mudar se fosse preciso, e foi o que fiz, diziam que precisava atingir o intelecto, e lá fui eu, filosofia, virei filósofo.
Outro caminho que adorei, conheci grandes homens os quais me ajudaram, depois de uma leitura antropofágica acabei incorporando-os e trazendo-os a existência, Sartre, Kant, e um que me apaixonou, Nietzsche. Usava os seus textos, interpretava suas palavras em minhas pregações, me apaixonei e apaixonei outros, tentei não levar meus pensamentos a eles, mas sim os fazer pensar. Creio que deu certo, mas isso é perigoso, pensaram alguns, o povo pensando? E adivinhem... Lá estava eu de novo...
Mas não ligava mais, quando conheci Nietzsche aprendi muito, e algum tempo depois deixei de vê-lo como filósofo, o vi de outra forma, comecei também a trabalhar e falar de outra forma, parei para a beleza, para a saudade, conheci outro amigo, o Rubem Alves, e daí aprendi a ver o ETERNO nisso tudo, aprendi a ver a beleza do pôr-do-sol, o nascer do sol, as flores, daí fui pra ultima acusação, fui acusado de poeta.
Meu coração se alegrou agora, não mais inquieto, porem feliz, comecei a conhecer outro, um nazareno, carpinteiro, chamava-se JESUS, logo vi que tinha algo diferente, em suas palavras falava de beleza, “olhai as flores do campo, os lírios, os pássaros", despertava algo diferente nas pessoas, algo que nem teologia, bons discursos, filosofia, antropologia, psicologia podem gerar, só a poesia, conversas do coração, e daí conheci o JESUS poeta.

Quando vi isso me tranqüilizei.

Quando percebi isso me alegrei.

Sentei no banco dos réus,

Olhei bem meus acusadores,

E com o coração tranqüilo lhes disse,

Dessa vez...

“Mea Culpa, Mea Culpa, Mea Máxima Culpa...”.

Cheguei onde queria

Sou poeta!



Com Carinho,


Clarence Santos
“Frater, Theologus minor et Peccator”

clarence_santos@hotmail.com

11 comentários:

max disse...

GOSTEI PASTOR CLARENCE
MUITO BONS OS TEXTOS E PERCEBO MUITO SENTIMENTO E SUAVIDADE CARACTERISTICAS DE UM POETA
GOSTEI MAIS PQ TEMOS MUITAS COISAS EM COMUM

Thayana disse...

Oi Clarence !

Adorei a texto! =]
Ás vezes tbm me sinto assim sabia ? no banco dos réus ... mais isso são coisas da vida... o tempo explica tudo !

Adoro seu jeito de escrever e de lhe dar com as coisas que a vida oferece !

Bjus ! ;*
saudades ! =/
se cuida ...

Anônimo disse...

Amham...
Olha...Deus continue te abençoando!
Ele é mesmo surpreendente...
Abraços!

Gessyka.

Anônimo disse...

Oi .

Então primeiramente Parabéns pelo seu blog maravilhoso digamos assim esplendor !
Adorei sua palavras são sublimes.
Hum .. mas o mais interessante é seu jeito de lhe dar com a vida e seus obstáculos na qual, não sei bem o que fazer.

A vida nos faz passar por muitas situações as quais não escolhemos, ou digamos, que fomos substimados, ou sera, que tomamos atitudes precipitadas, não sei bem ao certo, percebo que que você passou por essa fase de escolhas de caminhos e vejo que no qual você se encontra, aparenta estar bem, então suponhamos que você soube escolher o caminho certo,( ou sera que não?) mais como saber qual seguir ??? A quem pedimos ajuda ?? Você precisou de alguém pra ajudar ? Então passo por uma situação que ja você passou, e não sei bem o que fazer... como posso saber qual o caminho melhor a seguir, como ? como ?

Beijos.
Fica com Deus!

Eli Angelo disse...

ficou do jeitinho q eu esperava...
muiito bom...
já tou imaginando qdo tiver musicado e talz...
adorei...

Taciana disse...

sem dúvida alguma... adorei teu texto.
não precisamos às vezes proferir uma palavras.. estamos sempre no banco dos réus, pelo simpels fato de existir.
há pessoas e pessoas, não sei muito do destino, mas acredito que algumas já nasceram destinadas a este tão simpático banco.. inclusive eu. ^^

pode avisar no orkut, ou no flog.. vou vir sempre ler.

:*

Lianne disse...

um ótimo poeta por sinal, e eu faço questão de te acusar por isso! hahaha :)

beeijo, q o Eterno continue te iluminando! :**

Lello disse...

Muito bom seu blog, gostei, parabens, abração ai

Natália disse...

Nossa!!!

Que tão lindo...tocou o coração

Vou voltar aqui tah?!


Deus abençoe.

Carol disse...

Se vivo, Santo Agostinho estaria em êxtase com a máxima citada!uhauahua

Engraçado! Minha percepção quase beirou a clarividência numa certa sexta embalada pelo "espírto de Jah". =P

Mas sério: de cara pensei justamente neste posicionamento ora polêmico, ora libertador. Saiba que esta posição suscita uma certa alegria e esperança na coragem do homem de assumir quem ele é!
Creio que a inspiração que emana transcendeu a relação custo-benefício.

E então, por isso, parabéns pela iniciativa! E que esta chama não se apague...

Fatima Miranda disse...

Amigo Clarence!

Que bom que vc ainda está percorrendo o banco dos réus! Significa que enquanto vc estiver pensando, questionando e investindo nas verdades, vc também estará crescendo. Nada melhor do que dúvidas pra gente caminhar mais, e dar muito mais para os que estão esperando algo de vc, como homem e como pastor.
Aprecio pessoas que bscam sempre!