sábado, 5 de maio de 2007

“OS DESENHOS DO CREPUSCULO”



Fim de tarde, por do sol, crepusculo.


Fui caminhar na praia neste que pra mim é o melhor horario, aproveitei, sentei e escrevi, na verdade estou escrevendo, a cada tarde estou escrevendo, há quem prefira a manhã, o sol forte, corpos bronzeados, cara de verão, saúde, já eu prefiro o crepusculo, o sol já não tão forte, se despedindo, as nuvens avermelhadas, o barulho das ondas (que durante os outros horarios é abafado pelo som de vendedores e outras amantes do sol forte), e a água gostosa a tocar os pés, tudo imcomparavelmente lindo, tem um sabor a mais, como falam, o gosto de “quero mais”.


Mas todo o meu amor pelo crepusculo não é só pela beleza estetica, embora sobre essa beleza Rubem alves fala algo interessante, “Depois são as cores. O céu azul prufundo, as árvores e grama de um outro verde, misturado com o dourado de sol inclinados. Tudo fica mais pungente ao cair da tarde, pelo frio, pelo crepusculo...”, mas o que sentimos tambem é por uma beleza que se ve dentro da gente, um sentimento estranho, porém gostoso, tristemente alegre que nos invade, nos rouba, nos torna refem, uma ausencia a nos completar o coração dificil de esplicar. Dificil porque nos esconde algo, guarda algo, faz que mostra mas na verdade não o faz, deixa que nossa imaginação cuide disso. Ao que Jorge Luis Borges falava, “A gente vai andadno, solidamente, e de repente vê um por do sol, e esta perdido de novo”. E Fernando pessoa falava, “É este poente precoce e azulando-se o sol entre os farrapos de nuvens, enquanto a lua é já vista, mistica, no outro lado”. “uma ultima cor penetrando nas árvores até os passaros, e este cantar de galos e rolas, muito longe”, comleta Cecília Meireles.


Enquanto caminho um amigo me liga, a menos de uma semana relizei seu casamento, me falava na ligação que viajaria á algumas horas e gostaria de despedir-se, então me veio, o crepusculo, por-do-sol é uma eterna despedida que o dia nos dá, e nel encontramos todas as nossa outras despedidas, as nossas saudades e desejos de reencontros, esta mistura de amor mais ausencia que vem trazer sentimentos tão gostosamente triste e tristemente alegres. Saudade, esta eterna fome que sente o corpo, porem tambem a alma e que marca dentre tantas a intensidade do amor. Quanto mais amor mais saudade, quanto mais saudade mais alegria e prazer no reencontro. Talvez por isso Socrates fala a Ágaton, transcrito no texto de Platão, que Eros não é completo, mas a eterna busca do que lhe é ausente no ser amado, o que me leva viajar pensando que Sócrates deve ter pensado tudo isso num fim de tarde nas praias da grecia.


Quando sento no fim de tarde para ver o por do sol, crepusculo, vejo o ETERNO, sinto o ETERNO, me sinto no ETERNO...


Daí me vem aquela insatisfação, busca pelo mais, sou grato mais insatisfeito, a busca do completar, do retornar, saudades...


É o que sinto sentado na praia de candeias ao fim da tarde,


E ai me lembro,


Vejo,


Meu Pai hoje distante,


Meus amigos distantes,


As borboletas que a muito não visitam meu jardim,


Deus, o ETERNO,


Todos alí, marcados nas nuvens avermelhadas, tudo de que tenho saudades.


Cai a noite, fecho o,bloco de notas, guardo a caneta e me vou, esperando o amanha, e amanha ve-los novamente, nova despedida, novo crepusculo, nova saudade, e assim vivo,pois como dizia o amigo Riobaldo, “Toda saudade é um pouco de velhice...”



Com carinho,


16 comentários:

Eli Angelo disse...

Cara...
Esse texto foi muito massa. Sensações a mil. Muito bom!
Se eu tivesse com a consciência fragmentada eu teria tido visões.
Muito bom mesmo!...

kennedy disse...

Eu sou supeito...mas...adorei! Eh a nossa cara, neh, meu amigo??

GessYka disse...

Lindo Texto.
Continua escrevendo...Me faz bem te ler!

Paz.

Hélio disse...

Amigo Clarence, o texto nos leva a uma reflexão interessante sobre as coisas que se vão temporária ou definitivamente e com a nossa quase insignificante participação num quadro maior. Sugiro um outro texto q tenha como pano de fundo o alvorecer. Teríamos talvez um paralelo entre os dois textos, no segundo a esperança que o novo dia traz substituiria a saudade que o dia que passou levou.

Apenas observações de um cara num momento de grande entusiasmo pela vida,

um abraço.

Lívia disse...

Eu concodo mto com vc. Mtas partes do texto eu me identifiquei... A busca pela parte q falta, o amor q gera saudade e vice-versa, gostei disso ^^

É isso... Não tenho mto o q flr pra o texto é seu e só posso comentar algumas coisa e dizer q amie ^^

=****

Hulda disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Hulda disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Taci disse...

que texto lindo!
bem q Thai disse q ficava encantada ao te ouvir.

beijos..
:*

Dayana Carla disse...

Nossa...vozaooo..
Q lindo,profundo e bem humano,diferenti de muitas coisa q eu ja li,incrivel!!!
Essas palavras,nossa...
Essa imagem,nossa...
So podia ser meu Vozao,hehheheh
simplesmenti amei
Esse seu dom de escrever,mexe com a cabeça de qualquer um,inclusive a minha.
Te AmU
té breve...voltarei aq sempre

Natuza disse...

pow que bunito tudo que tu falou...
até pareceu que quem tava olhando o crepúsculo na hora era eu...
gosto quando as pssoas escrevem c uma certa "magia" fazendo a gente imaginar o q sentiram na hora...
=]
gostei do teu blog moço....
vou visita-lo c mais frequencia ..
as coisas escritas lá passam uma trenquilidade....

tb tu é a tranquilidade em pessoa né....

Lianne disse...

eu sei q já te disse q o texto tá lindo, mas percebi q havia esquecido d comentar isso aquii! uehuhe
eh sempre bom refletir e aprender coisas essenciais com os detalhes da vida. continue escrevendo ;)

"A vida que não é examinada não vale a
pena ser vivida."

Sócrates

bjus..

Magna disse...

também amo o mar, fim de tarde e principalmente quando escuto e olho as idas e vindas ...o barulho, o vento e o cenário...
é um quadro magnífico que nos leva a viajar dentro de nós mesmos e ver que estamos em caminhada constante, serena e consciênte rumo ao crespúsculo..ao ômega!
tá escrevendo bonito, SÔ!! rsrrsrrs...Bjos..

Fatima Miranda disse...

Essa paz que a gente encontra no mar, está diretamente relacionada com a ausência do sol fervilhante que nos cega, com a imensidão de pessoas que não nos deixam usufruir daquele instante mágico. A impressão que vc deixou foi de introspecção salutar, de alívio por se sentir vivo, mas num clima de muita calma e contato com o "Divino". Felicidade na sua busca!

Carlotta disse...

Good post.

Marta disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marta disse...

texto muito lindo a cada vez que venho aqui sempre viajo,sempre consigo ver os acontecimentos,vc escreve e alem disso me tira do lugar,como já gosto de prai e ter essa interpretação do fim de tarde é lindo tambem adoro esse horario por que as nuvens estão rosa,aiaiai que lindo,to viajando ate agora
obrigado pelas palavras escritas aqui que elas sempre se ronovem isso é o que desejo.

Marta Roberta