sexta-feira, 18 de julho de 2008

“O LEIGO QUE CONHECI NO JARDIM”


É deitado em uma rede improvisada em meu quarto para ler, na boa companhia do amigo Jack Daniels que fito a janela enquanto as sedutoras e brilhantes gotas de uma garoa leve que flutuam tranqüilas no ar até encontrar o vidro e correrem por ele até encontrarem o fim...
Acompanhando esta cena meu pensamento se perde caminhando nas estantes de lembranças de minha mente até encontrar uma bem interessante, esta que passo a contar, e que certamente me trouxe, não sei se ao acaso, ou obra do destino, mudanças radicais...

“Os bosques são belos, sombrios e fundos, mas há promessas a guardar, e muitas milhas a andar antes de poder dormir...”.

É com essa frase do Robert Frost que começo a caminhada num belo jardim da Universidade Federal de Pernambuco, já com o frio do fim da noite acentuado por uma leve garoa que cai, todo um cenário bucólico, de uma beleza quase edêmica, que parecia ter acabado de aflorar (os que acompanham meus textos já conhecem minha paixão por jardins, obras mais perto da obra Divina). E é na caminhada neste cenário quase metafísico, que se da uma agradável conversa com uma amiga que tenho aprendido a admirar e ter um carinho imenso, conversas dessas sem compromisso, em que se fala sobre tudo e nada, sobre destino e acaso, medos e certezas, palavras... E no meio de tantas palavras ditas ou lida nos olhos, que uma colocação veio pousar em minha alma de forma pesada e incomum:

“Não me aproximei mais de você, por medo, medo por você ser sacerdote...” (como a maioria já sabe sou Pastor/Padre Episcopal).

Após o choque a primeira reação foi a pergunta: “Sério? É Brincadeira?”, e na seriedade de um olhar me vem a resposta, o sim. Mudei de assunto, e após as despedidas, no caminho pra casa, e nos dias seguintes aquela frase me perseguiria.
Embora pareça óbvia, só agora sinto o peso desta situação, só agora cheguei à beira e vi a profundidade do abismo que separa o clero dos laicos, o sacerdócio do povo. Como vamos cumprir a tarefa de ajudá-los nessa caminhada da vida se estamos tão longe, separados por nossas alvas, casslocks e estolas. No meio destes pensamentos lembrei-me de um outro grande amigo, o Martorelli, uma dessas almas-irmãs que a gente encontra na vida, ao fim de uma de nossas longas caminhadas na praia, paramos no shopping, entre os livros da Livraria Saraiva, e seguida de uma gargalhada gostosa, que estão predestinadas aos gordinhos, ele me diz:

-“Cara, Jesus é leigo, ele não foi, nem é do clero, é laico...”.

E do raciocínio desta frase com a de minha amiga do jardim é que me veio a respostas a muitas perguntas elaboradas a tempos em meu coração;

- por que as pessoas se sentiam tão bem perto de Jesus e nem sempre se sentem assim numa igreja?
- por que era tão fácil para uma prostituta, um sonegador, um estelionatário, um assassino, um traidor chegarem perto de Jesus e não ser assim de um sacerdote?
- por que uma pessoa comum se identifica tão bem com Jesus e não com um Pastor/Padre?


Resposta: PORQUE JESUS É LEIGO, É DO POVO!!!!
Lembrei-me do capitulo 25 do livro de Mateus, quando Jesus se identifica com o povo, e não o povo comum, e sim o oprimido, e vai alem até da identificação, chegando à imanência do Cristo. O que fazemos ao oprimido para libertá-lo de sua opressão é ao próprio Cristo que fazemos. Como clero pecamos nisso, estamos longe do povo, logo, longe do Cristo. Este pecado presente no clero desvia o processo histórico de seu rumo libertador, e deita raízes no coração do homem, alienando-o. Marx já dizia, a alienação cria o descompasso entre a nossa existência e a nossa essência. Não vivemos o que somos, e nem podemos ser o que gostaríamos de viver. Comecei a entender que antes de ser clero, padre, pastor, sacerdote, devo ser, acima de tudo povo, acima de tudo homem, homem de fé. A fé que não nos dá a radiografia do momento histórico, mas sim o sentido ultimo e absoluto da historia: o antagonismo de classe será suprimido, e todos viverão como irmãos em torno do mesmo Pai. O mais importante hoje é estar com o povo, com os oprimidos. E no fim Jesus dirá: “Tive fome e me deste de comer... tive sede e me deste de beber...”, indagaremos: “Quando foi, Senhor, que te vimos com fome?... com sede?”, e o Nazareno responderá: “O que fizeste a um desses pequeninos, foi a mim que o fizeste” (Mt 25).
Estes pensamentos foram resultados de uma conversa com uma amiga no jardim.
Daí, a beira, olhei a profundidade do abismo, afastei-me, corri e pulei, e quando penso cair uma mão segura, a mão do Cristo, do amigo leigo que me apresentaram no jardim, estava do lado laico, do povo, presente na doce voz de uma amiga...


Clarence Santos
“Frater, Teologus Minnor et Pecattor”

quinta-feira, 10 de julho de 2008

"Necessidades musicais..."


Fica como mais uma dica minha pra vcs, saiu o novo cd do OTeatro Magico, baixem de graça no site deles, é fantastico e necessario a vida de qualquer cidadão cultural....



destaques para "Abaçaiado", com participação de silverio pessoa, nosso conterraneo...



domingo, 6 de julho de 2008

"... musicas de minha mente estes dias..."!

"Quando a gente conversa

Contando casos besteiras

Tanta coisa em comum

Deixando escapar segredos

E eu não sei que hora dizer

Me dá um medo (que medo)

Eu preciso dizer que te amo

Tanto

E até o tempo passa arrastado

Só pra eu ficar do teu lado

Você me chora dores de outro amor

Se abre e acaba comigo

E nessa novela eu não quero ser Teu amigo, (quê amigo ?)


Que eu preciso dizer que eu te amo

Te gan har ou perder sem engano

Eu já não sei se eu tô misturando

Ah, eu perco o sono

lembrando em cada sorriso teu qualquer bandeira

fechando e abrindo a geladeira a noite inteira..."

(Dé, Bebel e Cazuza/ a melhor versão e a do cd da novela Paraiso Tropical, me arrancou lagrimas hj pela beleza, recomendo...)

quarta-feira, 25 de junho de 2008

"Frases que me povoaram a mente estes dias..."

"És parte ainda, do que me faz forte... pra ser honesto só um pouco infeliz..." (renato russo)

"Cheguei quando não podia, estou saindo quando não queria, se eu pudesse eu não queria, se quisesse não podia, pois o que é, é, isto é tudo, e tudo é!" (meu diario 2001)

"Os oposto se distraem, os dispostos se atraem..." (fernando anittelli)

"É preferivel morrer a perder a vida!" (frei tito de alencar lima)

"Pior que perder a fé, é perder a esperança!" (frei leonardo boff)

"Alojo meus pensamentos na tenue rua, que divide a loucura da sanidade..." (clarence santos)

"Bem aventurados os pobres de espirito..." (JESUS o Nazareno)

segunda-feira, 23 de junho de 2008

"A MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES, PEIXES E QUITES DE CAFÉ DA MANHA..."


É interessante como os milagres nos cercam todos os dias e quase nunca os notamos, estamos acostumados apenas em ouvir as historias/estorias de milagres como os de Jesus o Nazareno, ou algumas de manifestações sobrenaturais, que permeiam o imaginario popular, estes dias vi a manifestação de um milagre do cotidiano, numa viagem, voltando da Cidade de São Paulo com um grupo de amigos e camaradas, que deixaram suas casa para conversar sobre um futuro melhor...


Já na volta dessa viagem nos vimos em uma situação um pouco dificil, coordenava o onibus com um amigo, o Matheus, quando no segundo dia, desesperados constatamos que não tinhamos mais dinheiro algum para dar café da manha aos outros camaradas, trinta e nove, e tudo o que tinhamos eram quinze quites de lanche que sobrara do outro dia, essa conta era dificil de se fazer, levantei junto com Matheus e dicidimos conversar com o onibus, explicamos a situação, colocamos nossa dificuldade a todos, e decidimos entregar os quites, pedindo que todos dividissem entre si, era o minimo, e pelo corredor do onibus começamos a destribuir...


Lá vai o primeiro... o segundo...terceiro... e após passar ate o fim do corredor do onibus percebemos que um milagre acontecera, os lanches se multiplicaram... e no final ainda sobraram dois... como se explica? derrepente quinze transformaram-se em quarenta e poucos?... alguns podem ficar estarrecidos com isso, mas um milagre muito maior acontaceu, o Amor e a Solidariedade se multiplicou no coração, cada um pegou apenas o que precisava e passou ao colega, e nessa ceia eucaristica todos os corações foram tocados e toda a fome saciada, corações socialista mostrando que a revolução se faz com sangue e amor.


Estoria parecida aconteceu em outro momento tambem, com um jovem de Nazaré, Jesus, começou em seus discursos a juntar muita gente, vinda de todos os lugares, e apos um longa caminhada, servida de muita conversa gostosa sobre sua filosofia de vida, nota que milhares de pessoas ja o seguiam, longe de casa, e sem ter o que comer, e Jesus faz o milagre acontecer, cinco pães e dois peixes alimentam cinco mil pessoas e ainda sobram varios cestos de comida, alguns acreditam na manifestação literal do milagre, algo fisico, que um "Jesus Coperfild" manifestaria, milagre maior do que multiplicar pães, é multiplicar amor, modificar corações, como acredito que o Cristo era muito maior que um simples magico, acredito que cinco mil corações foram transformados naquele fim de tarde a beira do mar, e o amor manifestou seu dom maior, dar...



Milagres assim se manifestem a cada dia em nossas vidas, e que não estejamos com os olhos cauterizados para ve-los...




Clarence Santos

"Frater, teologus minnor et pecattor!"

sábado, 21 de junho de 2008

"PORQUE ESCREVO..."


Outro dia ouvi um escritor dizer em uma entrevista que escrevia para informar, achei aquilo tao vazio, tao fraco, nao escrevo para informar, dai lembrei de algo que falei a alguns anos quando me fizeram esta mesma pergunta... "Eu escrevo Para SEDUZIR..." pura e unicamente, meus textos nao sao meros conjuntos de letras e palavras com informações, coloco vida, mel, leite, maná, arrisco dizer que coloco sangue, transformo meus escritos em mim mesmo, servido neste banquete antropofagico,
"...ESTE É O MEU CORPO, ESTE É O MEU SANGUE... COMAM E BEBAM..."



Clarence Santos

segunda-feira, 24 de março de 2008

"O ciclo do caranguejo "


A família Silva mora nos “mangues” da cidade do Recife, num “mocambo” que o chefe da família fez quando chegou de cima.


A família é originária do sertão. Desceu do Cariri, na seca, perseguida pela fome. Fez uma paradinha no brejo, para tentar o trabalho nas usinas, mas não se pôde aguentar com os salários dessa zona, sem ter direito a plantar senão cana. Sem ter, nem ao menos o recurso do xiquexique e da macambira, como no sertão, para quando a fome apertasse.


Nesse tempo espalharam pelo interior um boato que o governo tinha criado um ministério para defender os interesses do trabalhador e que com os fiscais da lei, a vida na cidade estava uma beleza, trabalhador ganhando tanto que dava para comer até matar a fome. A família Silva ouviu esta estória, acreditou piamente e resolveu descer para a cidade, para gozar das vantagens que o governo bom oferece aos pobres.


Logo de chegada a família ouviu que a coisa era outra. Não havia dúvida que a cidade era bonita, com tanto palácio e as ruas fervilhando de automóveis. Mas a vida do operário, apertada como sempre. Muita coisa pros olhos, pouca coisa pra barriga.


O caboclo Zé Luís da Silva não quis desanimar. Adaptou-se: “Quem não tem remédio, remediado está.” Entrou na luta da cidade com todas as forças de que dispunha, mas as forças dele não rendiam que desse para a família viver com casa, roupa e comida. Casa só de 80 mil réis para cima, para comida uns 150 e os salários sem passarem de 5 mil réis por dia.


Começou o arrôcho. Só havia uma maneira de desapertar: era cair no mangue. No mangue não se paga casa, come-se caranguejo e anda-se quase nu. O mangue é um paraíso. Sem o cor-de-rosa e o azul do paraíso celeste, mas com as cores negras da lama, paraíso dos caranguejos.


No mangue o terreno não é de ninguém. É da maré. Quando ela enche, se estira e se espreguiça, alaga a terra toda, mas quando ela baixa e se encolhe, deixa descobertos os calombos mais altos. Num deles, o caboclo Zé Luís levantou o seu mocambo. As paredes de varas de mangue e lama amassada. A coberta de palha, capim seco e outros materiais que o monturo fornece. Tudo de graça encontrado ali mesmo numa bruta camaradagem com a natureza. O mangue é um camaradão. Dá tudo, casa e comida: mocambo e caranguejo.


Agora, quando o caboclo sai de manhã para o trabalho, já o resto da família cai no mundo. Os meninos vão pulando do jirau, abrindo a porta e caindo no mangue. Lavam as ramelas dos olhos com a água barrenta, fazem porcaria e pipi, ali mesmo, depois enterram os braços na lama a dentro para pegar caranguejos. Com as pernas e os braços atolados na lama, a família Silva está com a vida garantida. Zé Luís vai para o trabalho sossegado, porque deixa a família dentro da própria comida, atolada na lama fervilhante de caranguejos e siris.


Os mangues do Capibaribe são o paraíso do caranguejo. Se a terra foi feita pro homem, com tudo para bem servi-lo, também o mangue foi feito especialmente pro caranguejo. Tudo aí, é, foi ou está para ser caranguejo, inclusive o homem e a lama que vive nela. A lama misturada com urina, excremento e outros resíduos que a maré traz, quando ainda não é caranguejo, vai ser. O caranguejo nasce nela, vive nela. Cresce comendo lama, engordando com as porcarias dela, fazendo com lama a carninha branca de suas patas e a geléia esverdeada de suas vísceras pegajosas. Por outro lado o povo daí vive de pegar caranguejo, chupar-lhe as patas, comer e lamber os seus cascos até que fiquem limpos como um copo. E com a sua carne feita de lama fazer a carne do seu corpo e a carne do corpo de seus filhos. São cem mil indivíduos, cem mil cidadãos feitos de carne de caranguejo. O que o organismo rejeita, volta como detrito, para a lama do mangue, para virar caranguejo outra vez.


Nesta placidez de charco, identificada, unificada no ciclo do caranguejo, a família Silva vai vivendo, com a sua vida solucionada, como uma das etapas do ciclo maravilhoso. Cada elemento da família marcha dentro desse ciclo até o fim, até o dia de sua morte. Nesse dia os vizinhos piedosos levarão aquela lama que deixou de viver, dentro dum caixão pro cemitério de Santo Amaro, onde ela seguirá as etapas do verme e da flor. Etapas demasiado poéticas, cheias duma poesia que o mangue não comportaria. Parte-se aparentemente, neste dia, o ciclo do caranguejo, mas os parentes que ficam, derramam caridosos as suas lágrimas no mangue para alimentar a lama que alimenta o ciclo do caranguejo.


Josué de Castro



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A presente crônica foi publicada pela primeira vez em 1933. Passados 72 anos, a realidade é ainda mais assustadora no Recife, muito piorada, porque as favelas e ocupações urbanas se multiplicaram nesse tempo e os caranguejos talvez não tenham mais espaço para viver.


A matéria A digna teimosia dos “severinos”, publicada em AND no 18, pag. 14, faz um retrato dessa situação e das tentativas da burguesia de esconder ou mesmo maquiar a triste realidade, seja com tapumes ou paternalismos variados. A população, entretanto, teima em aparecer e mostra todo tempo a sua face pobre, mas digna.


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Dicas de Leitura: "Geografia da Fome" - Josué de Castro.

Um dos pernambucanos mais ilustres que já nasceu nesta terra, influenciou grandes pensadores, inclusive o Grande Profeta pernambucano Chico Science, Indicado ao Nobel de Medicina e ao Nobel da Paz. Cidadão do Mundo!


"... Encontrei um Cidadão do Mundo, num maguezal na beira do rio... JOSUÈ!..." (Chico Science - Afrociberdelia)



Clarence Santos

domingo, 23 de março de 2008

"PAZ E LUTA!"


"A MANIFESTAÇÃO DA JUSTIÇA!"


"A Minha alma esta armada e apontada para cara do sossego, pois paz sem voz, não é paz, é medo!"


Assim começa a musica de uma banda carioca chamada O Rappa, e externa muito mais do que uma simples melodia, mas um sentimento coletivo que deve ser não só um sentimento, mas uma guia de atitudes, pois o que transforma a situação em insustentavel não é apenas a corrupção ou a violencia, mas alguns dos piores sentimentos que move o coração dos fracos, a indiferença e a omissão.


Contam os historiadores que um dos maiores revolucionarios de todos os tempos, Jesus de Nazaré, em um de seus discursos mais significativos diz: "Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos", o que nos ensina que a busca pela justiça deve ser acima de tudo uma necessidade como comer e beber, pois a paz ao contrario do que muitos pensam, não é a ausencia de violencia, e sim, acima de tudo, a manifestação da justiça.


Neste sentido, a violência, a falta de paz não é apenas um marginal armado na esquina ou uma bala perdida na cabeça da criança, mas tambem a falta de saude para o povo, a fome que aflige não só as viceras, mas o coração dos pais de familia, é não conseguir chegar na porta de sua casa, quando se tem, por causa da lama de uma rua asfaltada apenas no papel, é uma midia vendida ao interesse dos poderosos servindo como maquina de manipulação das massas, e muito mais exemplos que nos renderiam muitas e muitas folhas.


O que mais alimenta situações como estas acima citadas, não é só a corrupção ou o trafico, mas principalmente a omissão e o silencio dos oprimidos que apenas esperam, esperam e cansam.


A musica do profeta conteporâneo Marcelo Yuka diz e a historia comprova, Paz sem voz não é paz, é medo, e medo é a ultima coisa que devemos ter, pois todos os que nos oprimem, seja homem ou mulher, ricos ou pobres, negros ou brnacos, heteros ou homosexuais, são todos iguais a nós, e como camtam na musica o Planet Hemp:


"ESPEREM SENTADOS A RENDIÇÃO, NOSSA VITORIA NÃO SERÁ POR ACIDENTE!!!"




Clarence Santos

"Fratter, teologus minor et pecattor!"

quinta-feira, 20 de março de 2008

"Deus e a nova Espiritualidade!"


"A unidade das várias religiões só poderá se concretizar quando seus praticantes tornarem-se realmente conscientes de Deus dentro de si mesmos. Teremos, então, uma verdadeira fraternidade de homens sob a Paternidade de Deus."

(yogananda paramahansa).



Esta nova espiritualidade é marcada por uma nova e diferente construção do papel do divino e do humano na formação de identidade do homem.


Deus na construção atual das instituições religiosas é uma força a ser ignorada, a construção do Deus antropomorficas e antropopaticas baseados na experiencia pessoal dos sacerdotes e na dogmatica das instituições o tornou obeso demais para andar ou fazer alguma coisa pelos homens, e numa leitua mais profunda, evocamos Nietzsche e declaramos: "DEUS MORREU!" e é interessante mostrar-mos que na boca de Zaratustra, Nietzsche não declara a inexistencia de Deus, não transforma a declaração numa afirmação ateia, e sim, numa inconformidade em relação ao que transformaram o divino dentro das religiões, isto é, a maquina dos poderosos de manipulação das massas.


Maquiaram de Deus, pintaram seu rosto impedindo que os outros entendam e veja a realidade, de que Deus, YHAWEH, Jah, Alá, oxum, etc... são apenas quadros pintados de um mesmo Divino Pai/Mãe. Nosso desafio de uma espiritualidade conteporânea é tirar este sorriso de palhaço que pintaram na face do ETERNO, e depois de todo o espetaculo, conhecer a verdadeira face do DIVINO, e só assim encontrar o "nosso" Deus, pessoal e intransferivel, viveremos com nossos irmãos e irmãs e com nós mesmos a paz e a tranquilidade que excede todo entendimento e nehuma religião pode proporcionar de forma perene.




Clarence Santos

"Fratter, Teologus minor et Pecattor!"

quinta-feira, 6 de março de 2008

Outras dicas...


Lá vai outra do teatro magico, na ultima esqueci de colocar o site deles, então ai vai...





e la vai outra poesia deles...



"... DE ONTEM EM DIANTE"


De ontem em diante serei o que sou no instante agora
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada ]
[ são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia
Quem surgiu primeiro? o antes, o outrora, a noite ou o dia?
Minha vida inteira é meu dia inteiro

Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro!
Minha mochila de lanches?
É minha marmita requentada em banho Maria!
Minha mamadeira de leite em pó
É cerveja gelada na padaria
Meu banho no tanque?
É lavar carro com mangueira

E se antes um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa... da puta tiro a roupa
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro...
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem




Escutem... é fantastico!podem baixar as musicas no site de graça... aproveitem!

terça-feira, 4 de março de 2008

"Eros e Thanatos"



Um dos assuntos que mais me seduzem é a mitologia, e hoje tava lendo sobre "Eros e Thanatos", da só uma lida na estoria...








O amor e a morte.


Eros e Thanatos.


Os extremos.


Conta a lenda que Eros adormeceu numa caverna, embriagado pelos auspícios de Hipno, o irmão de Thanatos. Ao sonhar e relaxar, suas flechas se espalharam pela caverna, misturando-se às flechas da morte. Ao acordar, Eros sabia quantas flechas possuía. Reunia-as, mas sem querer levou algumas pertencentes a Thanatos. Assim, os velhos se sentem embrigados pelo amor, flechados por Eros, enquanto muitos jovens sentem a morte no coração. Muitas vezes, o amor quando finda deixa uma sensação tal de vazio e solidão, que deve ser muito próximo daquilo que acreditamos ser a morte. Enquanto outras vezes é preciso que a morte se estabeleça para que o amor nasça. A passionalidade cerca os seres, todos. Não há quem nunca pensou em extremos diante de uma ameaça. Por isso mesmo, há de morrer para que renasça o amor.


Breve mais contos mitologicos...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Dicas...


Bem hoje separei pra dar algumas dicas,

o que tem embalados meus dias e noites tem sido uma galera muito boa chamada, "O Teatro Magico", os caras tem um som fantastico, um violao gostoso, e umas letras extremamentes bem feitas.

A tempos que nao era surpreendido na musica!

entrem no site e baixem as musicas, minha recomendação especial é "A Pedra mais Alta".


segue a letra dela:


A PEDRA MAIS ALTA

(Fernando Anitelli)


"Me resolvi por subir na pedra mais alta
Pra te enxergar sorrindo da pedra mais alta
Contemplar teu ar, teu movimento, teu canto
Olhos feito pérola, cabelo feito manto

Sereia bonita sentada na pedra mais alta
To pensando em me jogar de cima da pedra mais alta
Vou mergulhar, talvez bater cabeça no fundo
Vou dar braçadas remar todos mares do mundo

O medo fica maior de cima da pedra mais alta
Sou tão pequenininho de cima da pedra mais alta
Me pareço conchinha ou será que conchinha acha que sou eu?
Tudo fica confuso de cima da pedra mais alta

Quero deitar na tua escama
Teu colo confessionário
De cima da pedra não se fala em horário
Bem sei da tua dificuldade na terra
Farei o possível pra morar contigo na pedra

Sereia bonita descansa teus braços em mim
Não quero tua poesia teu tesouro escondido
Deixa a onda levar todo esboço de idéia de fim
Defina comigo o traçado do nosso sentido

Quero teu sonho visível da pedra mais alta
Quero gotas pequenas molhando a pedra mais alta
Quero a música rara o som doce choroso da flauta
Quero você inteira e minha metade de volta"

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Sem gaiolas... pombos livres...


Ontem tava conversando com um criador de passarinhos, dai lembrei da historia que tenho contado pra vocês sobre os pombos livres, tudo começou assim...


Quando era guri, e estudava na escola moderna piaget, ficava fascinado por uma casa que mais parecia um bosque, um grande jardim, e no fim da casa, presa a parede, varias caixas abertas, e nas caixas pombos, no meio do jardim um banco, onde um senhor ficava alimentando os pombos, que praticamente o cobriam, ficava pensando, porque eles nao voam embora, nao tem correntes, grades, eram livres...


Dai fiquei imaginando o homem se enamorando mais por uma bela pomba, que tinha o habito diferente dos outros pombos, nao gostava de comer dos grãos que ele colocava no chão, mas se aninhava a seu colo, e pegava aquela deliciosa comida de suas mãos... sempre fazia a mesma coisa... sempre a mesma pomba... o pobre velho solitario adorava aquilo, decidiu que nao queria mais ficar longe daquela linda e fragil pomba... e passou a noite em sua garagem construindo uma pequena gaiola pra ela, colocou comida, uma bandeijinha de agua, uma casinha bem feitinha... e pela manha foi mostra-la a sua linda pomba... ela olhou... olhou... mas nao entendeu muita coisa... "quero estar com voce velho amigo, por puro prazer, por pura vontade", o pobre homem nao entendeu, tentou prende-la, mas ela fugiu, ainda amava o velho, mas tinha medo, o que ele tinha era demais pra ela... ela voou, foi embora, as vezes de longe observava o velho amigo, sentado em seu banco, com a gaiona no colo, esperando por sua pequenina... tinha vontade de descer, mas a gaiola a empedia, descobriu praças lindas da cidade, lindos jardins, mas o coração ainda estava no colo confessionario e acolhedor de seu velho amigo.


Um dia ele desistiu de esperar, quebrou a gaiola e sentou-se a observar e alimentar os outros pombos, quando ela viu o velho amigo sentado novamente no jardim, sem gaiola nas mãos, com as mãos e o coração aberto a alimentar, ela voutou e só ai ele entendeu... Amar é a arte de criar pombos livres , que vão, voam em praças, migram, mas ao anoitecer, na hora fria do dia, voltam para casa, onde nao há donos, gaiolas ou prisoes, só a casinha aberta e o velho amigo sentado com seu saco de grão nas mão...


O martelo nas maos... gaiolas no chão...