domingo, 22 de março de 2009

O Zumbido, A Palavra e o Silêncio


Bzzzzzz...


Elas zumbem

Como abelhas sem rumo em minha cabeça

Voam de um lado para o outro

Porem não acham sentido na vida

Falta-lhes algo

A inspiração pelo que fazem

A musa

A Abelha Rainha

A soma perfeita das palavras

"A Palavra!"

É então,

Que na fundura dos oceanos da mente

Ela eclode, Como bolha de ar

A bolha das funduras submarinas de meu ser

Bolha de letras e Palavras,

E no meio das palavras,

"A Palavra!"

O zumbido para,

O mar se aquieta

E o poeta, então encantado, encontra,

A razão,

O Grande e Perfeito poema de uma palavra só!!


e depois o silencio....

quarta-feira, 18 de março de 2009

sábado, 14 de março de 2009

"PERGUNTARAM-ME SE ACREDITO EM DEUS"


Perguntaram-me se acredito no inferno...



Era uma vez um velhinho simpatico que morava numa casa cercada de jardins. O velhinho amava os seus jardins e cuidava deles pessoalmente. na verdade fora ele que pessoalmente o plantara - flores de todos os tipos, árvores frutiferas das mais variadas espécies, fontes, cachoeiras, lagos cheio de peixes, patos, ganços e garças.

Tão bom era o velhinho que o seu jardin era aberto a todos: crianças, velhos, namorados, adultos cansados. O jardim do velhinho era um verdadeiro paraiso, um lugar de felicidade. prestando-se um pouco de atenção era possivel ver que havia profundas cicatrizes nas mãos e nas pernas do velhinho. contava-se que, certa vez, vendo um criança sendo atacada por um cão feroz, o velhinho, para salvar a criança, lutou com o cão e foi nessa luta que ganhou as cicatrizes. Os fundos do terreno da casa do velhinho davam para um bosque misterioso que se transformava numa mata. Era diferente do jardim, porque a mata, não tocada pelas mãos do velhinho, crescera selvagem como crescem todas as matas. O velhinho achava as matas selvagens tão belas quanto os jardins. Quando o sol se punha e a noite descia, o velhinho tinha o habito que a todos intrigava: ele se embrenhava pela mata e desaparecia, só voltando para o seu jardim quando o sol nascia.

Ninguem sabia direito o que ele fazia na mata e estranhos rumores começaram a circular. começaram, então, a espalhar o boato de que o velhinho, quando a noite caía, transformava-se num ser monstruoso, parecido com o lobisomem, e que na floresta existia uma caverna profunda onde o velhinho mantinha, acorrentadas, pessoas de quem ele não gostava, e que o seu prazer era tortura-las com lâminas afiadas e ferros em brasa


Outros diziam, ao contrario, que não era nada disto. Não havia nem caverna, nem prisioneiros, nem torturas. Essas coisas existiam mesmo era só na imaginação de pessoas malvadas que inventavam os boatos. O que acontecia era que o velhinho era um mistico que amava as florestas e ele entrava no seu escuro para ficar em silencio, em comunhão com o misterio do universo.


Quem era o velhinho, na realidade?


Voce decide. Sua decisão será um reflexo do seu coração.





Clarence Santos

domingo, 8 de março de 2009

O VELHO E O BERÇO


Parábola sobre a esperança”


Todos acreditavam que ele estava ficando louco. Um dia o pobre velho, já passado dos noventa, sai de casa, com todo o vigor e entra na floresta, machado na mão e sorriso no rosto, o que despertou a curiosidade de seus visinhos;


- O que vais fazer com este machado na floresta?


– Cortar lenha para fazer um berço!


- Pra quem?


- Pra meu filho que esta pra nascer!


E todos caiam na risada, pobre velho, acredita que terá um filho nesta idade. Mas ele estava vivendo uma promessa, um anjo havia avisado que a sua esposa lhe daria um filho, este tão esperado, o Filho da promessa, o Filho da Esperança. Não só esperava pela anunciação de sua esposa de que estava grávida, mas ele mesmo já vivia em seu coração grávido. E com a madeira cortada, em casa ele começa a construção do berço, não só para o filho, mas para esperança...


E nove meses depois a criança nasceu, e ele lhe deu o nome de sorriso, não pelo riso desacreditado e chacoteador dos seus visinhos, mas pelas gargalhadas que deu com a criança/esperança, pela alegria da espera alcançada.


Nos tempos do computador, da internet, tudo está ao nosso alcance apenas com um toque no botão, os novos dias nos fizeram desaprender a arte de esperar, não apenas no sentido do tempo, mas principalmente, nos fizeram perder a esperança, o que não temos hoje, nunca mais teremos. Estes novos tempos nos faz pensar que o velho construtor de berço não é só muito paciente, mas louco, nos dias de hoje não apenas ririam dele, mas também o internariam, acreditando que ele precisaria de tratamento, mas não, nós que desaprendemos a esperar é que precisamos, somos filhos mau educados que queremos tudo na hora que nos der na telha, e por isso vivemos doentes, estressados, depressivos, com a frustração do que não se pode ter, pelo menos não agora.


O que precisamos hoje, acima de tudo é aprender com o velho construtor de berço a bela arte da esperança, exercitar a nossa fé, aprender a acreditar, um antigo texto sagrado nos ensina;


“Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito!”


Um dia tudo dará certo, tudo ficará pronto, tudo entrará nos eixos, tudo se consertará, o filho amado, tão esperado nascerá, mesmo que venha ele em nossa velhice, ele virá, seja ele um filho propriamente dito, seja um amor desejado, uma casa própria, o trabalho nos tempos das vacas magras, a cura esperada, uma vida feliz. O que nos sobra não é o desespero, mas a esperança, o preparo, machado nas mãos, sonhos no coração e criança no ventre.


Daí então, um belo dia com a certeza que a arte da esperança nos dá, nos encontraremos, passeando em alguma das praças da vida com o filho amado nos braços!



Com todo carinho e esperança que tudo vai melhorar,



Clarence Santos

Frater, teologus minor et peccator