sábado, 14 de março de 2009

"PERGUNTARAM-ME SE ACREDITO EM DEUS"


Perguntaram-me se acredito no inferno...



Era uma vez um velhinho simpatico que morava numa casa cercada de jardins. O velhinho amava os seus jardins e cuidava deles pessoalmente. na verdade fora ele que pessoalmente o plantara - flores de todos os tipos, árvores frutiferas das mais variadas espécies, fontes, cachoeiras, lagos cheio de peixes, patos, ganços e garças.

Tão bom era o velhinho que o seu jardin era aberto a todos: crianças, velhos, namorados, adultos cansados. O jardim do velhinho era um verdadeiro paraiso, um lugar de felicidade. prestando-se um pouco de atenção era possivel ver que havia profundas cicatrizes nas mãos e nas pernas do velhinho. contava-se que, certa vez, vendo um criança sendo atacada por um cão feroz, o velhinho, para salvar a criança, lutou com o cão e foi nessa luta que ganhou as cicatrizes. Os fundos do terreno da casa do velhinho davam para um bosque misterioso que se transformava numa mata. Era diferente do jardim, porque a mata, não tocada pelas mãos do velhinho, crescera selvagem como crescem todas as matas. O velhinho achava as matas selvagens tão belas quanto os jardins. Quando o sol se punha e a noite descia, o velhinho tinha o habito que a todos intrigava: ele se embrenhava pela mata e desaparecia, só voltando para o seu jardim quando o sol nascia.

Ninguem sabia direito o que ele fazia na mata e estranhos rumores começaram a circular. começaram, então, a espalhar o boato de que o velhinho, quando a noite caía, transformava-se num ser monstruoso, parecido com o lobisomem, e que na floresta existia uma caverna profunda onde o velhinho mantinha, acorrentadas, pessoas de quem ele não gostava, e que o seu prazer era tortura-las com lâminas afiadas e ferros em brasa


Outros diziam, ao contrario, que não era nada disto. Não havia nem caverna, nem prisioneiros, nem torturas. Essas coisas existiam mesmo era só na imaginação de pessoas malvadas que inventavam os boatos. O que acontecia era que o velhinho era um mistico que amava as florestas e ele entrava no seu escuro para ficar em silencio, em comunhão com o misterio do universo.


Quem era o velhinho, na realidade?


Voce decide. Sua decisão será um reflexo do seu coração.





Clarence Santos

3 comentários:

Andre Araujo disse...

o velhinho era tranquilo pra caramba! mto bom!

Anônimo disse...

POucas vzs vi textos tão esclarecedores que conseguiam ser tão belos ao mesmo tempo. parabens, vc não só é um bom escritor como um bom poeta, no sentido de saber trabalhar bem as palavras!

bezerra disse...

Como falei, você brinca com as palavras e nos transporta a uma vida existente só na nossa imaginação.(UTOPIA)
Acredito que o "velhinho" na minha proleta capacidade, é um ser que mesmo nas adversidades da vida,com todos os problemas e dificuldades que a vida oferece a ele.Ele está alí, a oferecer sua mão, sua capacidade e seu tempo paraquem precisa.
Esse velhinho, ele inspira, expira e transpira paz e sossego, ele tem uma esperança e dela ninguem pode lhe apartar.
Ele sabe que o bom da vida é ser feliz,que não se deve priorizar o negativismo, se pode ser feliz, porque optar pela infelicidade.
Foi assim, que eu entendi.