sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

“Nem roupas, nem lembranças...”

Ele a tinha presa a cama,
Amarrada e sem condições de saída.
Enquanto seus olhos destilavam o terror daquela situação,
Ele apenas a observava tranquilo imaginando e sonhando com o que se passaria.
Jogou um plástico por cima pra evitar a sujeira,
Tapou sua boca pra não ser incomodado com o barulho,
E lentamente começou a enterrar uma fina faca em seu coração acelerado,
E enquanto assim fazia, deixava os pingos de sangue se misturarem com as lagrimas que
Deixava cair sobre o corpo.
Quando não havia mais vida
Com ela ainda suja de sangue, cortou as coradas que a amarravam a cama
Deu o último beijo,
E a deixou sair sem nada, nem roupas, nem lembranças...
Apenas uma faca enterrada no coração e na alma

Clarence santos

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

INSPIRAÇÃO DE PROGRAMA DE TV

Ele estava sentado no sofá de sua casa, cabeça baixa, olhando pros pés enquanto os colocava na sandália. Levantou, caminhou ate a estante e pegou o maço de cigarros, foi ate a varanda, caminhando e observando, uma rede atravessava o local, e a única luz que se via eram as pequenas lâmpadas de natal. Empurrando a rede se encostou na mureta da varanda, e enquanto olhava por entre as gradas o nada estampado na parede do prédio vizinho, riscou o fósforo e acendeu um cigarro, na verdade foi um isqueiro, mas ele sempre imaginava o barulhinho que fazia o riscar do fósforo e o estourar da chama na imaginação dos leitores. Recostou sobre a mureta e se deu a pensar no nada, foi ai que se pegou olhando pros pedaços de tintas arrancados da parede a sua frente, e como faziam formas engraçadas, o submarino da musica dos Beatles, um homem e outras coisas mais.
Enquanto observava a brincadeira de sua mente se espalhar pela parede do prédio vizinho, uma frase o trouxe de volta a melancolia anterior, foi o Michel Melamed que gritava no meio de sua sala, recostado sobre uma janela:
- Todos nós estamos presos do lado de fora de um abraço...
Ficou pensando sobre aquilo sem muito entender quando o Melamed repetiu e completou:
- Todos nós estamos presos do lado de fora de um abraço, completamente condenados a liberdade!
Apagou o cigarro quase o esmagando no cinzeiro, entrou na sala quase que correndo, olhando de canto de olho o filosofo em sua janela repetindo aquela frase e imaginando o quanto existe de verdade naquelas palavras, entrou no quarto e a encontrou deitada na cama, já adormecida, o lençol cobria parte de seu corpo branco e belo, iluminado por uma fresta de luz que teimava em entrar por entre as frestas da cortina, tirou sua roupa e deitou ao seu lado, e como que por instinto, ela se virou, ainda adormecida, de olhos fechados, jogou seus braços e pernas sobre o seu corpo, deu-lhe um beijo de princesa adormecida e balbuciou por entre o beijo...
- Te amo!
Ele respondeu e a aconchegou ao seu lado, sobre seu corpo, e como em uma bela pintura ou um apoteótico final de um belo filme de amor, adormeceram abraçados.



Clarence Santos

O NASCIMENTO DA VIDA

Tudo começa com um traço, um rabisco, uma frase, uma letra, um beijo...
Mas nem todos entendem isto, sempre esperam mais,
Filhos da impressora, pensam, baixam, pesquisam, escravos do Google
Querem tudo pronto, impresso, digitalizado, tudo agora...
Gosto dos rabiscos, dos traços, das primeiras pinceladas,
Todo filho amado nasce de um beijo, dos toques,
Do suor, mais beijos, mais toques, dança, musica, ritual
Um culto a Dionísio...
A espera, a ansiedade, a dor, o parto, nascimento
Daí então a pintura no quadro,
Daí então a musica soando,
Daí então a poesia,
Daí então o filho nas mãos,
E só então a vida.


Clarence Santos

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

"Um sonho bom..."

Ela virou e jogou as pernas em cima de mim,
Acordei, olhei as horas, três e pouca da manha,
Me deu um beijo no pescoço, me abraçou bem forte
E ainda com os olhos fechados, me disse...
TE AMO!
E me abraçou forte mais uma vez,
E relaxou como num sonho bom...


CLARENCE SANTOS

Horas depois perguntei,
- Tu lembra amor?
- Eu fiz, amor? Lembro não
E nos acabamos no riso e na lembrança desse “sonho bom”.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Quando perdi e achei minha inspiração

Demorei procurando uma caneta Bic, um bom bloco de notas,
Abrindo uma boa garrafa de vinho e preparando o meu cachimbo,
Mas sinceramente, não lembro onde coloquei minha inspiração.
Deitei na rede da varanda, taça na mão, cachimbo na boca,
E a esperança de achá-la,
E enquanto a fumaça se dissipava no ar é que a vi,
Minha inspiração,
Ali, guardada no coração do poeta que a muito não me visitava,
Disse que estava ocupado,
Vivendo a poesia...

Clarence Santos

segunda-feira, 12 de julho de 2010

"Lembranças do tempo de Criança!"

Os tempos bons sempre renascem na lembrança,
Das brincadeiras de infância com o amigo Pedro,
Da caça as borboletas no jardim de Dona Minervina,
No pé de manga da casa de Zezé,
Da pipoca da venda de Dona Ilza,
Do pé de pinha da casa de Dona Lúcia,
E da eterna paixão adolescente
                          [Pelo sorriso da bela poeta.




Clarence Santos 


PS: Foto da rua onde todas estas historias aconteceram...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

"Quando li Vinicius hoje..."

Tava procurando o que ler agora a pouco,
algo que falasse ao meu coração, ou que 
pelo menos falasse ao momento em que
estou vivendo, foi quando peguei o livro
"Antologia Poética" do "Poetinha" Vinicius de Moraes,
ele sempre me fala, e os seus textos são realmente 
fantásticos, mas de tantos textos no livro escrito não
sabia qual ler, nem por onde começar na verdade,
foi quando me veio o numero "232", o numero da "BR"
que me leva a casa onde mora o amor, e lá eu li...


Não tinha como ser diferente, mais uma vez,
o poetinha-profeta acerta de novo,
e mais uma vez, com o coração feliz digo,
Obrigado Vinicius...




Clarence Santos

quinta-feira, 27 de maio de 2010

"O ENCANTO DAS ALMAS" (ou "A Dança da Mulher Escarlate!")

A mulher escarlate dança a sobre mim numa cadencia sedutora e harmoniosa, suas mãos se abraçam ao meu corpo a ponto de as senti dentro de mim, o rosto colado no meu, labios a se roçarem no balançar do ritimo dado pelo pulsar do sangue, a respiração quente e ofegante que sai como incenso e oferenda aos deuses que moram em nós, o que antes era só carne, agora é ritual, magico, feitiçaria, encanto das almas...
Dois sacerdotes, ela e eu, invocam os deuses pra disfazer o erro cometido e transformar as almas numa coisa só...


Clarence Santos

domingo, 16 de maio de 2010

Calmo...

O coração começa a se acalmar, 
A mente, antes mar revolto, sente a calmaria... 
Agora numa rede em Pernambuco, 
Um cachimbo soltando uma fumaça densa, 
Uma taca de vinho do lado, 
Deixo meus pensamentos e sonhos viajarem por terras distantes...


Clarence Santos

“A VELHA CASA, O CACHIMBO E O JACK DANIEL’S”

Entrei naquela casa vazia, antiga. Assim que abri a porta fui recepcionado pelo cheiro suave e gostoso de madeira nobre, creio que dos móveis que ali estiveram, ou pelo piso que tambem era de madeira. Fiquei um tempo perdido na porta imaginando mil coisas, tantas historias que se viveram ali, tantos amores, tantas festas, aniversarios, casamentos, paixões, alegrias, historias... tudo guardado naquela casa centenaria!
Entrei e invadi o salão enorme, carregava numa das mãos uma garrafa de um “Jack Daniel’s” na outra meu cachimbo e um bom “Borkum Riff” e no coração muita curiosidade e incertezas...
Naquele salão vejo tudo acontecer de novo, como que na hora. Sento numa poltrona velha encostada no canto de observador. Chego a ouvir o sorriso das crianças correndo, o som do velho blues tocando na vitrola, os passos dos jovens apaixonados estridentes no chão de madeira, saindo para viver a vida, a paixão...
Decido subir aquelas escadas é quando encontro um quarto aberto, nada se encontra nele, a não ser as mesmas historias, escritas naquelas paredes, nas camas que por ali passaram... dou um trago em meu cachimbo e solto a fumaça, que como magica forma as cenas no ar, no quarto, vejo então os corpos abraçados, a pela branca dela iluminada pelo raio de luz que uma brecha na telha deixa escapar, soltando toda aquela paixão guardada num beijo gostoso... sento no canto do quarto e vejo pela janela, da casa e da alma, o mar, verde, calmo lá fora. Me perco em pensamentos que minha memoria não guardou.
E quando decido ir embora fico a relembrar estas historias e nas que ainda virão, guardadas, seladas naquela velha casa. Fecho a porta e entrego a chave a ela, deusa guardiã das historias a serem vividas...
Da esquina da rua dos sonhos deixo escapar por entre os labios quase fechados:
- A casa sou eu!


Clarence Santos

“...texto confuso de um coração confuso!”

sexta-feira, 14 de maio de 2010

“A Deusa Mar”


Hoje parei pra ver o mar, meu refugio, meu porto
Mas hoje percebi que o mar tava diferente,
De um jeito novo que me intrigou,
Fiquei a pensar o que seria
Foi quando vi Iemanjá, a rainha do mar, a deusa mar
Sair e vir ao meu encontro
Me fitou com seus olhos verdes intensos
E então percebi... o mar azul, hoje estava verde
A deusa-mar de olhos verdes me encantou...


Clarence Santos

Empolgado escrevi depois de lembrar de um dialogo
Entre a raposa e o pequeno principe, do livro de
Antoine de Saint-Exupéry...

“...Mas a raposa voltou a sua idéia: 
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música. E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo... 
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe: 
- Por favor, cativa-me! - disse ela...
...  Os homens esqueceram a verdade - disse a raposa. - Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas!..."

quarta-feira, 12 de maio de 2010

"Feitiçaria..."

As vezes acho que estou apaixonado,
mas penso bem e entendo que nao,
é maior...
paixão é palavra fraca, desgastada...
estou é encantado, enfeitiçado,
e feitiçaria é isso,
o poder de transformar as coisas pelas palavras,
o poder de trazer o ser do nada,
o poder de ser deus, deusa...
mudar o mundo...
criar um mundo...
apenas com um "sim"...


Clarence Santos

“O Dia que me descobri Poeta...”

Quando era moleque não me achava bonito,
Me lembrei disso agora quando vi uma comunidade no orkut de uma amiga
“Beleza atrai, conteudo convence!”
Engraçado que depois de um tempo me descobri bonito,
Não pelo fisico, mas pelas palavras,
Eu falava bem,
Era bom com a escrita...
Descobri a magica de viver poesia...
Fiquei bonito quando me descobri poeta...

Clarence Santos

“Exilado...”

Hoje pensei:
É engraçado esta coisa de saudade,
O como ela vem e vai,
O porque ela vem e vai...
O vai nem tanto, porque geralmente ela só vem...
É ai que me lembro de uma doença que me disseram que dava nos negros escravos,
Tristeza enorme que tornava inuteis todas as belezas...
Banzo é o seu nome...

E é perdido nestes pensamentos
Nascidos depois de uma saudade estranha que tive,
Saudade do que ainda nem tinha vivido
Mergulhado em desejos de lembranças
Que esculto o sussurrar melodico da Cecilia Meireles:
Já se ouve o cantar negro.
Que saudade, pela serra!
Os corpos, naquelas aguas,
- as almas por longe terra.
Em cada vida de escravo,
Que surda, perdida guerra!”

Depois de um sinlencio repito uma frase pra mim mesmo:
-“ Os corpos, naquelas aguas, as almas por longe terra”
Não só uma poesia
Esta é uma canção de exilio,
e exilio é:
“Quando o desejo anda por lugares onde o corpo não pode ir.”
Começo a entender  meu sentimento
O que tenho é saudades...
Exilado estou...


Clarence Santos 

segunda-feira, 10 de maio de 2010

"Poesia, o roteiro da vida..."

As vezes vejo a vida como uma poesia
Minha  poesia,
Mas não só assim, uma poesia que vira roteiro,
Filme baseado em fatos reais,
Acontecido ou não, são reais...
É um roteiro
Onde mesmo sem viver, vivo tudo o que quero
É onde sou poeta, sou ator
Sou vida,
Sou simplesmente ser...
Poesia é o roteiro da vida...
E é nessa historia que sou passaro
Que mesmo preso na gaiola da rotina,
Na poesia vira o jogo,
Quebra as grades,
Bate as asas e voa...



Clarence Santos

sexta-feira, 7 de maio de 2010

TAMARINDO...

Gosto do gosto que a paixão tem,
gosto meio azedo,
meio doce,
meio ácido tambem...
que só de lembrar, enche a boca dagua,
os olhos de lagrima
e o corpo de prazer
como gosto de tamarindo...


Clarence Santos

quinta-feira, 22 de abril de 2010

“POESIA DO (NO) COTIDIANO”



Há poesia?

Me pergunto o dia inteiro,
Em minha mente,
Minha alma,
Meu coração
Há poesia nessa luta?
Tento ver nas linhas da vida, da luta e não consigo ver
Não consigo ler,
Minha mente adormecida pelo dia, pelo cotidiano
Meus olhos fechados, e a pergunta continua...

Há poesia?
É quando sou sacudido pelos amigos poetas que moram em mim
Nietzsche, T.S. Eliot, Pagu, os Andrades, Mario, Osvaldo
Drumond, o Profeta Vinicius...
Acordo, abro os olhos...
A poesia dança em minha frente,
Com seu vestido colorido
Beleza, a poesia guardada nos quadros do dia a dia
No salto esperançoso do Honestino
Na fumaça que quase encobre o sorriso guardado entre a barba de Che
No sorriso dos que lutam e lutam sem perder esperança
Na estrela que brilha nos olhos de um velho que sonha
Na foice que corta o ar, abrindo os caminhos de quem pode voar
No martelo que bate no ritimo do coração, da musica alegre
Na união da juventude que canta, dança e se alegra
E então respondo ao meu coração...

Sim, sim
Há musica
Há beleza
Há dança
Há poesia

Clarence Santos

terça-feira, 20 de abril de 2010

O Mar e eu


Moro perto do mar, da praia...
nunca paro pra ve-lo, as vezes nem lembro que esta lá,
só quando passo no onibus, de relance
ai da uma vontade de parar, dar um mergulho,
caminhar com os pés na areia, depreocupado, desarmado


Tenho um mar dentro de mim
hoje resolvi parar porlá
joguei minhas coisas na areia
tirei o sapato e as roupas pesadas que
me incomodava
me senti livre
solto
tranquilo
sem pesos
mergulhei nesse mar
e vi uma bolha sair das funduras
trazia uma palavra,
"a" palavra
cobiçada pelo eruditos
cantada pelos poetas

relaxei...
me entreguei ao mar
e "a" palavra...

Clarence Santos
 
"Sobre a falta de inspiração,
dentro de mim existe um mar, de palavras,
onde guardo minha inspiração
tem dias que as coisas estão muito corridas
esqueço dele, são meus hiatos,
tem dias que o vejo da janela do onibus,
tem dias que me entrego, mergulho e vivo..."

quarta-feira, 17 de março de 2010

“FOTOGRAFIAS DO COTIDIANO”


Atravesso a catraca do terminal e de longe observo meu ônibus parado no ponto, desligado, mas já de portas abertas, enquanto ando me chama a atenção uma gargalhada aberta e sonora daquelas que só gordos alegres conseguem dar, é o motorista sentado no batente de um resto de muro conversando com o amigo cobrador enquanto fuma seu cigarro.


Chego à porta do ônibus e percebo alegre porque há poucas pessoas, e que meu lugar preferido esta vazia, o perto da porta, na janela. Vejo todos os passageiros, são estudantes, creio que deve ser época de prova ou coisa do tipo, estão todos com os cadernos abertos como que estudando, me sinto alegre, poderei ler meu livro sem interrupções.

Sento, abro a bolsa e tiro “O Carteiro e o Poeta”, livro que me acompanha estes dias, uma releitura necessária que senti nessa semana, abro na pagina marcada e absorvo aquelas palavras escritas enquanto elas me absorvem numa relação antropofágica entre eu e o autor. Não percebo sentar na cadeira atrás de mim um pai e seu filho pequeno ate que o menino dispara a falar:

- Pai, cadê o motorista?
- Não sei filho!
- Pai, cadê o motorista?
- Esta lá fora filho!
- Ele não vai entrar pai?
- Já já filho.

O menino começa a pensar enquanto olha pra cadeira vazia do motorista, ate que ele percebe um problema pra que sua viagem aconteça, e dispara de novo:

- Pai...
- Oooooii menino!!!
- Tem um problema, a porta do motorista esta fechada, como ele vai entrar?
- Entrando, toma isso vai menino e fica quieto!

Falou enquanto dava uma caixinha de achocolatado ao guri, mas este, insatisfeito continua logo depois de encaixar o canudo na caixa:

- Mas pai, como ele vai entrar, se a porta esta fechada, e ele esta do lado de fora?
- Ele tem um controle remoto meu filho
- Como o senhor sabe disso?
- Sabendo!
- Puxa pai, como você é inteligente!

O pai então da um sorriso de canto de boca, orgulhoso enquanto o filho se delicia no achocolatado silenciosamente.
Volto os olhos para o livro procurando onde tinha parado a leitura antes de ser atrapalhado pelas perguntas do estridente menino enquanto falo pra mim mesmo...

- Puxa senhor, ainda bem que o senhor é inteligente assim...



Clarence Santos

quinta-feira, 4 de março de 2010

“Despedida do logus...”

A cena me lembrou uma musica do cartola e acabou que ela ficou em minha mente o resto do dia.


Quando passei pela porta do quarto e te vi arrumando as suas coisas, meu coração deu uma pontada, ainda era difícil acreditar, a pouco tempo essa casa era tão sua, mas você não era dessa casa, era do mundo, assim, estava deixando de ser minha também, se é que um dia foi...

É como um filho que criamos, preparamos, mas quando cresce conhece o mundo, a vida e toma seu caminho, deixa de ser só nosso...

Você virou com um olhar doce enquanto colocava a mochila nas costas e sorriu...

“Sempre vou lembrar-me de onde vim, sempre vou estar antropofagicamente ligada a você...”

Essas foram suas ultimas palavras quando saiu pra só voltar em visitas e em lembranças...

Com uma caneta BIC nas mãos, um caderno de anotações apoiado nas pernas cruzadas, cantarolando Cartola baixinho, observei você ganhar o mundo...



“Ainda é cedo amor, mal começaste a conhecer a vida...”

Clarence Santos


Numa conversa sobre meus escritos falei:

“...Na verdade depois de publicado eles deixam de ser meu, nada depois que toma o mundo é mais nosso, é mais ou menos como filho, sempre vamos ter ligação, mas é do mundo agora, tem vida própria e em cada cabeça toma rumos diferentes...”

quarta-feira, 3 de março de 2010

"Conversando..."

- ...Tem gente que consegue sintetizar as coisas de uma forma, que uma frase fala o que outros diriam em um parágrafo, ou ate em uma folha inteira escrita, sempre que vejo algo assim, muito bom, com que me identifico, confesso, sempre me vem aquele pensamento tipo: “poxa vida, deveria ter escrito essa frase antes, ele roubou de minha mente...”, muitos desses me poupariam folhas e mais folhas de textos...


Enquanto vou falando, sento numa mureta e observo a paisagem que se desenha a minha frente, meio alheio na verdade a ela de fato, mas envolto numa nuvem de pensamentos que tenta lembrar varias dessas frases que já me trouxeram este sentimento, é então que percebo esta figura perdida em minhas palavras, olhando o nada, pernas cruzadas, braços apoiados no muro, cabelos curtos esvoaçantes se desenhando como rabiscos em seu rosto...
Quando interrompe...

- Queria que você pensasse isso de uma frase minha...
- Acabei de pensar
"Saudade quando não cabe na alma, vira mar. Deságua e chora."
Essa frase me pouparia metade das coisas q escrevi esta semana

Com um sorriso gostoso você fala:

- Que coisa boa ouvir isso. Sentimento universal.
- é sim, não sei se viu, mas escrevi demais sobre saudades estes dias...
- vi sim, eu também.
- tenho um sentimento de saudade como um sacramento, confere graça...
- Ando escrevendo demais sobre saudade. E tava pensando que saudade, as vezes vem carregada de culpa.
Saudade do que poderia ter vivido...
- é verdade, saudades do que nunca existiu...
- Do que poderia ter feito pra ser diferente e não ter o fim solitário de agora, o que desperta a saudade. É... Saudade é uma coisa ardida, e eu sempre achei engraçado o gosto salgado que a lágrima tem, Gosto de mar. Gosto de coisa que vai e volta, profunda, imensa, sei lá...
- mais uma que sai tão perfeito que deveria ser minha...

Um riso gostoso nos toma por alguns segundos quando continuo

- Vai e volta... Dialética... Transformação...
Tem coisa q a saudade transforma, Transubstancia.
Tava olhando uma videira que tenho aqui em meu quintal, meu avô me deu. Todos q olham, vêem apenas uma videira pra mim é diferente, vejo os fios dourados e belos q saem dela e tocam meu coração.
Saudade tem esse poder...
De transformar as coisas
- É verdade! Que bonito isso. Saudade deixa a gente com o olhar mais bonito...
- tava pensando aqui, essa nossa conversa dava pra virar texto do blog não é?!

Sorrindo você levantou e começou a andar, olhou pra trás, me deu um xauzinho com a mão e foi... Levantei e segui outro caminho...





Clarence Santos
Larissa Minghin

sábado, 27 de fevereiro de 2010

“Saudades...”

Estava quase adormecendo quando ouvi sua voz forte porem suave ao meu ouvido.

Você estava deitada no sofá ao lado, quando o ventilador soprava sentia os fios de teu cabelo tocar de leve meu rosto.
Te olhei, teus olhos verdes e vivos acompanhavam um belo sorriso que se desenhava em teu rosto, antes que sua boca balbuciasse ao meu ouvido... “Calma...”

Meu rosto ainda estava marcado com os caminhos das lagrimas que o rasgaram pouco antes,Caminhos que desenhavam a saudade talhada em meu coração
O amor sentenciado a viver da lembrança nessa ausência.

Mas você insiste... “Calma...”

Resolvo te escutar, guardo o teu rosto uma ultima vez na memória
Fecho os olhos e sinto adormecer,
Durmo...



Clarence Santos



“Não sei se estava sonhando, ou aconteceu assim dessa forma,
A certeza é a de que o coração estava cheio de saudade dele,
Quando ela apareceu e me acalmou...”


Para “ela”, Tata
E “ele” Clarence

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

“PASSEIO”


Caminhei sentindo a areia gostosa da praia entre os dedos
Andei em direção a água,
O mar estava calmo,
Entrei na água em algo como um lago formado pelas pedras e corais ali
Quando o sentei tudo o que sentia era o vai e vem das pequenas ondas
A sensação era gostosa, apaixonante
Junto as mãos dentro d’água e tento guardar o mar
Impossível, logicamente impossível
Penso e tento segurar como ao mar tudo o que amo e acho belo
Impossível, logicamente impossível
Levanto e vou embora,
Levo no corpo o sal da água
Guardo na mente a memória do dia
Levo no coração a saudade
Guardo na boca o gosto do beijo...



Clarence Santos



“Outro dia
Sentado na praia,
Meu violão sentiu tantas saudades
Que tive a impressão
De ouvi-lo tocar sozinho...

Saudades de tu...”

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

BRINCANDO COM PALAVRAS

Hoje tava pensando que estava sem muita inspiração,
Estava equivocado,
O que tinha era coisa demais passando em minha cabeça,
Palavras que dançavam sem ordem,
sem cadencia,
livres,
Como queriam.

Tentei domesticá-las,
Em vão.

Elas não são como as palavras da academia,
Bem treinadas, educadas, podadas
Essas tem vida própria, são logus,
Filhas da poesia,
Amigas da filosofia,
Alegres,
Crianças traquinas brincando em minha mente,
Não consegui segura-las,

Daí então,

Decidi brincar com elas.

O DIA EM QUE PERDI O JUIZO

Outro dia me peguei olhando pra trás
E achei que não tinha muito juízo.
Mas hoje pensei,
Na verdade,
É que acabei recolhendo pelo caminho
Juízo mais do que o necessário,
E só agora percebo que não dá pra andar com todo esse peso.

Vou soltar algum pelo caminho,
perdido
Só assim da pra andar sem medo pela praia a noite,
Deixar a mente pensar o que quiser e como quiser,
Besteiras a vontade,
Ser mais leve, feliz!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

"Vinte e dois Lírios..."


Este é o amor provavel
Provado na beleza
Dos lirios
Do que voa as flores
Das cores
Que seduzem
Introduzem no coração
O que falta
Elemento da saudade
Do medo
Da vida
Que precisa respirar
O perfume
Dos lirios
E do amor...



Clarence Santos

Ps: esta escrevi a muito tempo, quando ainda estava estudando teologia, ´pra uma linda borboleta que na época voava pelo colegio americano batista...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

“UMA QUASE NOITE DE UM QUASE AMOR...”

Estou presa na tela do computador, os olhos vidrados e a ansiedade me tomando toda, desde ontem que não converso com você, você saiu de nossa ultima conversa dizendo que teria uma surpresa e não voltou mais e me deixou com a saudade de tuas ultimas palavras...



Revejo a conversa que salvei e em cada palavra que leio meu corpo se arrepia todo, cruzo as pernas e aperto com força, fecho os olhos, levanto a cabeça e te imagino aqui comigo, te sinto poderosa me tocando, descruzo as pernas e levemente vou descendo minha mão pelo pescoço, passeando entre os seios, tocos os biquinhos, estão arrepiados como sei que você gosta... Desço, devagar... Passo direto para a parte interna da coxa, estou arrepiada... Vou subindo e toco minha buceta, ta molhadinha, minha calcinha ensopada de tesão só de pensar em você... Ao me tocar por cima da calcinha sinto como que um choque me tomar, tremo, quase gozo... Paro, olho o MSN e você não esta, o meu tesão se transforma em tristeza... Saudade...

Pego o copo de achocolatado que esta na mesinha do lado e dou um gole.

Alt+Tab = Olho tua foto aberta ainda em meu computador, você sentada, olhinhos puxadinhos, mexas loiras e um biquinho que parecia me convidar...

Alt+Tab = Olho de novo o MSN, na espera de tua entrada...

É difícil sentir tudo isso, é novo me imaginar tocando um corpinho delicado de mulher, é sedutor...

Já é tarde, decido ir dormir e começo a fechar as coisas no computador quando paro na ultima tela aberta, a tua foto.

O quarto esta escuro iluminado apenas pela luz do monitor. Na mesinha minha baguncinha habitual, canetas soltas, espalhadas, minha bruxinha feita de durepox e bolinhas de gude, rabiscos soltos de minhas poesias não acabadas. Puxo as pernas pra cima da cadeira e as cruzo como em posição de meditação, me encosto, fito teus olhos na foto, olho como se você estivesse me vendo, fecho os olhos e imagino você comigo, sinto novamente aquela vontade de te ter, minha mão esquerda desce para entre minhas pernas, enquanto a direita toca meu peito direito, aperto, logo me percebo completamente molhada novamente. Respiro fundo, abro os olhos, e te fito de novo, é quando meu transe é atrapalhado pelo celular que vibra na bancada, de logo me assusto como se tivesse sido pega num flagra, um sorriso se ensaia em meu rosto, me sinto boba, estico a minha mão e pego o telefone, olho o display, vejo o numero, a única coisa que percebo é o prefixo, 011... Sinto um frio percorrer meu corpo, continuo olhando ainda sem atender, desço a perna e deixo meu pé direito tocar de leve o chão, lembro de ter te dado meu numero, mas você nunca havia ligado, “será?” esse é o pensamento que passa pela minha mente, desço a outra perna, fico de pé, dou dois passos pelo quarto escuro, atendo, escuto uma voz doce de menina me dizendo alo e deixando um sorrisinho gostoso escapar enquanto fala, pergunto quem é, mas a resposta que ela me dá é um pedido pra que olhe pela janela.

Dou mais um passo e ainda com o celular no ouvido olho pela janela que esta entreaberta, a noite esta escura, apenas um poste no outro lado da calçada com a luz fraca ilumina uma pequena área, enquanto um taxi se afasta silencioso vejo a silueta de uma mulher se formar, mochila nas costas, celular no ouvido, sorriso no rosto;

- Ainda não acredita – pergunta ela, gaguejo, mas não consigo responder, ela da um passo a frente ficando no foco da luz do poste e pergunta se não vou recebê-la, desliga o celular, o coloca no bolso de uma forma delicada e sensual, coloca a mão na cintura, a outra segura na alça da mochila que desce por baixo do braço acentuando a beleza dos seios que antes só tinha visto por foto, tiro o celular desligado do ouvido e o coloco em cima da mesa, corro ate a porta para abrir, vejo você atravessar a rua e chegar perto da porta, sinto teu cheiro doce e suave trazido por uma leve brisa que acaricia meu rosto, fecho os olhos e respiro fundo, é como um suspiro doce que se desfaz na saliva de minha boca, abro os olhos e te observo andar, me prendo na beleza de teu sorriso, percebo duas mexas loiras que descem por trás de cada lado de teu cabelo negro realçadas pela noite escura, você chega perto, tira a bolsa e vem em minha direção, fico imaginando o que você fará...

Você chega, toca meu braço e vem em direção de meu rosto, sinto meu coração palpitar imaginando teu beijo, você encostou teu rosto no meu, sinto a diferença da suavidade de tua pele, sinto tua respiração gostosa e você me da um beijo, nossos lábios se tocam no cantinho da boca uma da outra, fico boba, pego tua mochila e te convido a entrar, deixo você passar e te olho andando, entrando em minha casa enquanto a observa em cada detalhe, a única coisa que consigo falar é uma pequena palavra que escapa enquanto você passa por mim... Louca! Você apenas sorri.

Ainda estava meio boba de te ter ali em minha casa, você já havia ido direto para o meu quarto, perguntou se podia tomar um banho, disse que sim e te dei uma toalha, perguntei se você estava com fome, respondeu que não, que já havia comido no aeroporto. Você entrou no banheiro e eu corri para frente do espelho para ver como estava, uma blusa confortável, rosa de alcinha, sem sutien, um short curtinho e uma calcinha branca de algodão, duas tirinhas apenas do lado, com umas rosinhas bem delicadas desenhadinhas nela. Comecei a ajeitar o cabelo quando você logo saiu do banho, só de toalha, o corpo ainda molhado, cada gota que escorria pelo teu corpo eu me imaginava lambendo, elas davam um brilho todo especial ao teu corpo, você abaixou um pouco, a toalha curta me deixou ver um pedacinho de teu bumbum, fiquei vidrada olhando, você percebeu, mas fingiu não ver, abaixou mais um pouco como se procurasse algo por trás da bolsa deixando ver um pedacinho da tua buceta, senti um calor me subir, uma vontade de te agarrar, mas me contive, estava morrendo de tesão.

Você falava, mas confesso que nem prestava atenção, só te olhava e imaginava em estar com você, em sentir teu corpo, mas também ficava apreensiva, nunca tinha estado com outra mulher antes, o que faria? Como faria?

A toalha caiu no chão, vi teu corpo nu, você colocava a calcinha, virou e me pegou babando, deu um sorriso safado, os olhinhos puxados me fitando, então começou a caminhar em minha direção, chegou bem perto, com a boca ao lado de meu ouvido e o corpo me tocando de leve me perguntou; gostou do que viu? Dei um sorriso, você coloca a mão em minha cintura subindo por minhas costas, esta fria, me arrepio, de frio, de tesão, sua outra mão passa pelo meu rosto e segue em direção a minha nuca, se encontra agora emaranhada em meus cabelos cacheados e ruivos, você então meu beija, sinto teus lábios tocarem os meus, tua boca pequena e delicada deslizar pelos meus lábios, sinto então tua língua pequena invadir minha boca, estou morrendo de tesão, sinto uma mordidinha gostosa, tua mão desce para perto de meu bumbum e me puxa, nossos corpos estão colados, paro o beijo para tirar minha blusa, você enfia a mão dentro de meu short e o tira, voltamos ao beijo agora sentindo teus seios lindos e durinhos tocarem os meus, coloco minha mão na tua nuca e com a outra aperto tua bunda, tua pele branca reflete tesão, subo minha mão e toco teus seios, aperto e te vejo se contorcer deixando escapar um gemido delicioso...

Você me empurrou para a cama, fico meio sem ação, sem saber o que fazer, minha calcinha esta notoriamente ensopada de tesão é quando você tira sua calcinha, com os olhos vidrados em mim, tua pele branquinha, teus seios lindinhos, num tamanho ideal, cabiam direitinho em minha mão, tua barriga linda, perfeita, enxuta desço minha visão, meio sem graça e vejo tua buceta, lisinhas, perfeita, parece apenas um risco em teu corpo, molhada, lambuzada, tiro a visão, você da um sorriso e começa a subir na cama, vem engatinhando em minha direção com uma carinha de safada, chega bem pertinho é quando me abro, digo que não sei o que fazer, você com cara de safada diz que me ensina, me da um beijinho na boca, deita por cima de mim, uma perna por dentro das minhas, a outra se abre deixando tua buceta molhada roçando em minha coxa, te puxo, dou um beijo e te aperto contra mim enquanto levanto um pouco a perna pra roçar com mais força minha perna em você, sinto aquele calor gostoso, molhado, delicioso, jogo minha cabeça pra trás e sinto aquele choque gostoso me tomar é quando você me morde gostoso o pescoço enquanto aperta as pernas...

Você pegou minha mão e conduziu por entre tuas coxas, a colocou em cima de tua buceta, estava molhada, colocou tua mão por cima da minha mão e apertou delicadamente, deixei meu dedinho escorregar por entre os lábios dela, estava molhadinha, entrou suavemente, estava pela primeira vez dentro de um corpo feminino, senti tua temperatura, estava me queimando de prazer, comecei então um entra e sai cadenciado, gostoso, você, de olhos fechados, mordendo os lábios como quem ta adorando aquilo, começo então a aumentar o ritmo e te vejo se contorcer toda de prazer, teu néctar escorria por entre meus dedo, foi então que enfiei o segundo dedinho, você então me apertou a perna, começou a subir tua mão por dentro de minha coxa esquerda, arranhando de leve ate chegar a minha gruta molhada de excitação, sem muito arrudeio enfiou dois dedos em mim, na hora tive um orgasmo delicioso, enfiei com força meus dedos na sua enquanto você me masturbava de forma frenética, foi então que você tirou sua mão, lambeu os dedos molhados de meu suco, foi descendo lambendo minha barriga segurou em meus joelhos abrindo minhas pernas, me arrepiei toda, foi então que lambendo minha virilha escorregou a língua pra dentro de meus grandes lábios, começou a mexer procurando meu grelinho, encontrou, rebolei em teu rosto, sentindo tua língua dentro de mim, você me chupava e se masturbava, segurava tua cabeça e te puxava como querendo que você entrasse toda em mim, você levanta, me olha, vai subindo, beijando minha barriga, lambendo meus seios, mordiscando meu pescoço, foi então que me beijou, senti meu gosto, meu cheiro em tua boca, você deitou por cima de mim, enfiou tua perna por entre as minhas, roçava tua coxa em minha buceta e eu na sua, nos abraçando, se roçando como se fossemos um só corpo, gozamos juntas, tremendo de prazer, sentindo teu corpo quente e delicado sobre o meu...

Nessa hora escuto o barulhinho do MSN, alguém me chamava, não ligo, ouço de novo, agora alguém me chama a atenção, abro os olhos e então percebo com tristeza que estou só, apertando o travesseiro entre minhas pernas, ele esta molhado, e eu, acordando...

Olho a tela do computador é você me chamando, te digo um oi meio sem graça, você responde e logo me diz que acabou de acordar, teve um sonho comigo, uma lagrima me desce nos olhos, sento e leio, é quando você me conta o sonho, você estava em pé na frente de minha casa, me ligando e me olhando pela janela...





Clarence Santos

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A CRIANÇA E O PALHAÇO (OU A SAGA DO PALHAÇO TRISTE)

Pobre homem
Cansado
Castrado em seus sonhos
Reflete,
Decide.

Toma nas mãos uma bela taça de cristal
Bebe, vermelho e espesso sangue de bode
E ascende-se,
No balcão
Uma bela vela preta
Acende.

Logo
Face a face
Frente ao espelho
Conversa
Condescendentemente
Consegue
Consigo
Com demonios.
Toma as tintas
Da
Arte
E com arte
Marcam e escondem
As marcas do rosto.
Um falso sorriso
Perene
Pendurado
Pintado em sua boca,
Aquela calva peruca vermelha
A velha roupa branca de palhaço
Um laço de corda bem dado ao pescoço
Lança
Se lança
E faz assim
Da criança

A alegria.






Clarence Santos




O SONHO!

Hoje, depois de um sonho ótimo me lembrei do poetinha, Vinicius, quando escreve “Eu não existo sem você” diz; “... todo grande amor só é bem grande se for triste...” e foi ainda com o sonho da noite anterior na cabeça que passei o dia cantarolando essa musica...


... Você estava com uma blusa amarela, deitada na cama, olhando o computador. O olhar na tela, mas a mente perdida em pensamentos. Enquanto lia o texto estampado na tela de fundo preto, parava, olhava para o alto e mergulhava em um mar profundo, era sedutor.

De longe te olhava, e com um sorriso de satisfação no rosto tentava entrar naquele mar profundo, escuro e lindo, cheio de vida que eram seus pensamentos.

Dei um passo à frente querendo chegar perto, mas hesitei um pouco, aquela cena que se pintava na minha frente era tão perfeita que nem os mestres da arte conseguiriam reproduzi-la, não queria borrá-la, mas a sedução que me tomava era maior, começava com o bater forte de meu coração, com aquela reação química circulando por todo meu corpo e se refletindo em mais um passo.

Você me percebeu, me olhou, deu um sorriso daqueles que de tão cheio de beleza tem o poder de ascender a lua. Cheguei mais perto e fui subindo na cama, coloquei primeiro meu joelho direito, me apoiei com a mão esquerda, enquanto a direita procurava teu corpo. Deitei ao teu lado, o coração batendo mais forte levado pelo ritmo de tua respiração, subi minha mão direita pelo teu corpo começando pelas pernas, passando pelo braço, quase nem tocando, pulei para o teu rosto e toquei, nosso olhar parecia ligado, não conseguia desviar de teus olhos, os meus dedos desciam pelo teu rosto como dedilhando um piano numa melodia suave de leve sendo levado para tua nuca e se emaranhando nos teus cabelos, te puxo pra mais perto de minha boca. Sentindo tua respiração forte e ofegante, se encontrando com a minha, o calor da tua boca tocando de leve a minha, te puxei. Beijei. Entrei naquele maravilhoso mar, te senti... Acordei...

Nessa hora, sem saber se ainda sonhando ou acordado sou tomado pelo poetinha... “eu sei e você sabe que a distancia não existe, que todo grande amor só é bem grande se for triste, por isso, meu amor, não tenha medo de sofrer, que todos os caminhos me encaminham pra você...”



Clarence Santos