quinta-feira, 27 de maio de 2010

"O ENCANTO DAS ALMAS" (ou "A Dança da Mulher Escarlate!")

A mulher escarlate dança a sobre mim numa cadencia sedutora e harmoniosa, suas mãos se abraçam ao meu corpo a ponto de as senti dentro de mim, o rosto colado no meu, labios a se roçarem no balançar do ritimo dado pelo pulsar do sangue, a respiração quente e ofegante que sai como incenso e oferenda aos deuses que moram em nós, o que antes era só carne, agora é ritual, magico, feitiçaria, encanto das almas...
Dois sacerdotes, ela e eu, invocam os deuses pra disfazer o erro cometido e transformar as almas numa coisa só...


Clarence Santos

domingo, 16 de maio de 2010

Calmo...

O coração começa a se acalmar, 
A mente, antes mar revolto, sente a calmaria... 
Agora numa rede em Pernambuco, 
Um cachimbo soltando uma fumaça densa, 
Uma taca de vinho do lado, 
Deixo meus pensamentos e sonhos viajarem por terras distantes...


Clarence Santos

“A VELHA CASA, O CACHIMBO E O JACK DANIEL’S”

Entrei naquela casa vazia, antiga. Assim que abri a porta fui recepcionado pelo cheiro suave e gostoso de madeira nobre, creio que dos móveis que ali estiveram, ou pelo piso que tambem era de madeira. Fiquei um tempo perdido na porta imaginando mil coisas, tantas historias que se viveram ali, tantos amores, tantas festas, aniversarios, casamentos, paixões, alegrias, historias... tudo guardado naquela casa centenaria!
Entrei e invadi o salão enorme, carregava numa das mãos uma garrafa de um “Jack Daniel’s” na outra meu cachimbo e um bom “Borkum Riff” e no coração muita curiosidade e incertezas...
Naquele salão vejo tudo acontecer de novo, como que na hora. Sento numa poltrona velha encostada no canto de observador. Chego a ouvir o sorriso das crianças correndo, o som do velho blues tocando na vitrola, os passos dos jovens apaixonados estridentes no chão de madeira, saindo para viver a vida, a paixão...
Decido subir aquelas escadas é quando encontro um quarto aberto, nada se encontra nele, a não ser as mesmas historias, escritas naquelas paredes, nas camas que por ali passaram... dou um trago em meu cachimbo e solto a fumaça, que como magica forma as cenas no ar, no quarto, vejo então os corpos abraçados, a pela branca dela iluminada pelo raio de luz que uma brecha na telha deixa escapar, soltando toda aquela paixão guardada num beijo gostoso... sento no canto do quarto e vejo pela janela, da casa e da alma, o mar, verde, calmo lá fora. Me perco em pensamentos que minha memoria não guardou.
E quando decido ir embora fico a relembrar estas historias e nas que ainda virão, guardadas, seladas naquela velha casa. Fecho a porta e entrego a chave a ela, deusa guardiã das historias a serem vividas...
Da esquina da rua dos sonhos deixo escapar por entre os labios quase fechados:
- A casa sou eu!


Clarence Santos

“...texto confuso de um coração confuso!”

sexta-feira, 14 de maio de 2010

“A Deusa Mar”


Hoje parei pra ver o mar, meu refugio, meu porto
Mas hoje percebi que o mar tava diferente,
De um jeito novo que me intrigou,
Fiquei a pensar o que seria
Foi quando vi Iemanjá, a rainha do mar, a deusa mar
Sair e vir ao meu encontro
Me fitou com seus olhos verdes intensos
E então percebi... o mar azul, hoje estava verde
A deusa-mar de olhos verdes me encantou...


Clarence Santos

Empolgado escrevi depois de lembrar de um dialogo
Entre a raposa e o pequeno principe, do livro de
Antoine de Saint-Exupéry...

“...Mas a raposa voltou a sua idéia: 
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música. E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo... 
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe: 
- Por favor, cativa-me! - disse ela...
...  Os homens esqueceram a verdade - disse a raposa. - Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas!..."

quarta-feira, 12 de maio de 2010

"Feitiçaria..."

As vezes acho que estou apaixonado,
mas penso bem e entendo que nao,
é maior...
paixão é palavra fraca, desgastada...
estou é encantado, enfeitiçado,
e feitiçaria é isso,
o poder de transformar as coisas pelas palavras,
o poder de trazer o ser do nada,
o poder de ser deus, deusa...
mudar o mundo...
criar um mundo...
apenas com um "sim"...


Clarence Santos

“O Dia que me descobri Poeta...”

Quando era moleque não me achava bonito,
Me lembrei disso agora quando vi uma comunidade no orkut de uma amiga
“Beleza atrai, conteudo convence!”
Engraçado que depois de um tempo me descobri bonito,
Não pelo fisico, mas pelas palavras,
Eu falava bem,
Era bom com a escrita...
Descobri a magica de viver poesia...
Fiquei bonito quando me descobri poeta...

Clarence Santos

“Exilado...”

Hoje pensei:
É engraçado esta coisa de saudade,
O como ela vem e vai,
O porque ela vem e vai...
O vai nem tanto, porque geralmente ela só vem...
É ai que me lembro de uma doença que me disseram que dava nos negros escravos,
Tristeza enorme que tornava inuteis todas as belezas...
Banzo é o seu nome...

E é perdido nestes pensamentos
Nascidos depois de uma saudade estranha que tive,
Saudade do que ainda nem tinha vivido
Mergulhado em desejos de lembranças
Que esculto o sussurrar melodico da Cecilia Meireles:
Já se ouve o cantar negro.
Que saudade, pela serra!
Os corpos, naquelas aguas,
- as almas por longe terra.
Em cada vida de escravo,
Que surda, perdida guerra!”

Depois de um sinlencio repito uma frase pra mim mesmo:
-“ Os corpos, naquelas aguas, as almas por longe terra”
Não só uma poesia
Esta é uma canção de exilio,
e exilio é:
“Quando o desejo anda por lugares onde o corpo não pode ir.”
Começo a entender  meu sentimento
O que tenho é saudades...
Exilado estou...


Clarence Santos 

segunda-feira, 10 de maio de 2010

"Poesia, o roteiro da vida..."

As vezes vejo a vida como uma poesia
Minha  poesia,
Mas não só assim, uma poesia que vira roteiro,
Filme baseado em fatos reais,
Acontecido ou não, são reais...
É um roteiro
Onde mesmo sem viver, vivo tudo o que quero
É onde sou poeta, sou ator
Sou vida,
Sou simplesmente ser...
Poesia é o roteiro da vida...
E é nessa historia que sou passaro
Que mesmo preso na gaiola da rotina,
Na poesia vira o jogo,
Quebra as grades,
Bate as asas e voa...



Clarence Santos

sexta-feira, 7 de maio de 2010

TAMARINDO...

Gosto do gosto que a paixão tem,
gosto meio azedo,
meio doce,
meio ácido tambem...
que só de lembrar, enche a boca dagua,
os olhos de lagrima
e o corpo de prazer
como gosto de tamarindo...


Clarence Santos