terça-feira, 13 de setembro de 2011

“A POESIA PARA FERNANDO” (ou “A Poesia de Fernando")


Foi sentado no onibus, que tudo aconteceu,

Sentindo de forma agradavel, enquanto olhava ao nascente
O Sol, que me envolvia completamente, como num abraço,
Ele se desenhava ao meu lado como uma pintura, perfeita, bela.
Coloco os fones no ouvido, e quando menos espero, ele senta ao meu lado,
O Fernando.
Conversa, brinca, desenha quadros em minha mente, canta...
Poucas vezes senti tão agradavel sensação, na verdade, a muito não sentia,
A poesia prevalecia,
Arte,
Beleza,
Encanto...
E quando olho no seus olhos, ele começa,
Pinta-me como palhaço,
“Homem pintado com piadas...”
E sorrindo deixo que no toque suave do maquiador
A tinta se espalhe no meu rosto,
Sorriso eterno estampado/pintado na face, beleza,
A poesia encanta,
Feitiçaria perfeita,
A vida nascendo em palavras,
E é nesse momento, que sem ao menos esperar,
Espontanea,
Intrometida,
Uma lágrima desce pelo meu rosto,
Mas não de tristeza,
De emoção diante da beleza, da perfeição, da arte...
E é numa antropofagia perfeita que sinto tudo envolver-me
Fazer parte de mim.
Outra lágrima desce desmanchando a maquiagem,
Mas não consegue desfazer o sorriso desenhado no rosto...

Clarence Santos
“Texto inspirado na Musica ‘Eu não sei na verdade quem eu sou’ de Fernando Anitelli do Teatro Mágico.”

domingo, 5 de junho de 2011

“CONVERSA BOBA NUMA TARDE CHUVOSA...”

Ele tentou por muito tempo manter um dialogo normal, sem parecer chato, ou usá-la como sua confidente, o que ele imaginara ser muito chato para pobre escutar naquele momento, perguntou coisas bobas de festas e outras datas festivas ate que chegou à clássica conversa de quem não tem nada pra falar e fala sobre o tempo, mas foi a partir daí que começou...
- Sabe, aqui chove muito – falou ele tentando manter os padrões sociais, e com a resposta dela se travou o dialogo insano sobre a vida...
- É, o céu ta cinza – disse ela bem mais poeticamente.
- Esses dias me fazem pensar muito...
- Creio que esta pra chover agora mesmo – respondeu ela olhando pro céu, parecendo não querer entrar em nada mais profundo, mas se rendendo a curiosidade continuou - isso é bom ou ruim?
- Bem, as vezes bom as vezes ruim... - fez uma pausa pensativa e começou - acredito q minha mente funciona rápido demais principalmente nesses dias, os pensamentos as vezes me deixam louco
- Entendo, acontece comigo também
- É, queria poder parar, esvaziar, mas não consigo... Sonhos, estórias que aconteceram, que não aconteceram, que crio, que vivo em minha mente, escrevo mil estórias ao mesmo tempo em minha cabeça, vivo em mil mundos...
- Isso deve ser foda
Quando ele viu a expressão no rosto dela ao dar aquela resposta imaginou a estar assustando, então tentou desconversar, se desculpar com um sorriso amarelo no rosto
- Você deve pensar conversar com um louco né?!
A resposta dela veio apenas com um sorriso bobo e sem graça também, mas que parece, ao invés de pará-lo o incentivou e ele continuou.
- Na maioria das vezes queria ser como gente comum, só mais um, conseguir ir pro trabalho, voltar e me sentir satisfeito com isso, não querer muita coisa da vida, só viver. Por incrível que pareça, é nessas horas que a mediocridade me seduz.
- Entendo – disse ela
- Me sinto fora da realidade, e queria voltar pra ela - continuou
- O ser humano anda muito critico e você deve ser o pior deles – Disse ela num tom completamente irônico
Ele percebeu que já devia parecer chato aquela conversa e soltou com outro daqueles sorrisos sem graça;
- Tu não deve ta entendendo nada, me desculpe... desculpe...
Ela generosamente o abraçou com carinho e falou,
- Não precisa se desculpar, eu já me senti desfalcada varias vezes, como se eu não fizesse parte disso tudo...
E ele com lagrimas escorrendo e com um aperto no coração de quem fazia papel de bobo repetiu suas ultimas palavras
- Como se eu não fizesse parte disso tudo...

Clarence Santos

sexta-feira, 3 de junho de 2011

"ESCREVER"

Tem dias que acordo com essa vontade louca de escrever,
Na verdade são todos os dias.
Pra falar coisas,
Pra não falar nada,
Informar, destilar, seduzir, conquistar, tudo...
E nada.
É quando percebo que o que eu preciso mesmo é escrever,
Só escrever...
Escrever por escrever.



Clarence Santos

segunda-feira, 30 de maio de 2011

"AS ARTES E A PLASTICA"


(O dia que achei que era artista plastico)


E eu tentei ser artista plástico,
Comecei pensar nisto depois da reportagem de um sendo preso,
Nada demais, tinha fugido com o filho pra longe da mãe.
Peguei um pincel, tinta e tela,
E sem muita coisa na cabeça comecei a escorrer o pincel sobre a tela,
Sobe, desce, lado, outro
Tintas, cores, formas, curvas...
Recortes de uma mente confusa se pensando completa,
Finalizando-se numa tela sem espaço a ser pintado,
Muitas cores,
Muitas formas,
Mas não muito a dizer,
A não ser pela gota de tinta que caiu aleatoriamente no fim da tela
Tinha forma de lagrima...


Clarence Santos

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

“QUANDO A SAUDADE TEM NOME DE ESPERANÇA”

Fechei os olhos e derrepente uma luz vermelha,
Vermelha bem clara, como o dia, e era assim a visão.
Uma bela praia, areia branca, um outro mundo.
Ela caminhava pela praia, branca como o dia,
Bela como uma Deusa.
A pequena princesa da sabedoria dançava ao seu redor
Como um ritual, um culto dionisíaco, brincante, alegre
Ao seu redor bacantes tocam  percussão,
Enquanto os sátiros tocam o Aulos.
Entro na festa, no ritual
Reconhecendo uma individualidade encarnada.
É quando sinto uma luz forte penetrar meus olhos,
Acordo e vejo que o sonho se foi,
Mas a saudade não.
Saudade de algo que não vive,
Pelo menos não fora de meus sonhos.
É a essa saudade que damos o nome de ESPERANÇA!

Clarence Santos