domingo, 5 de junho de 2011

“CONVERSA BOBA NUMA TARDE CHUVOSA...”

Ele tentou por muito tempo manter um dialogo normal, sem parecer chato, ou usá-la como sua confidente, o que ele imaginara ser muito chato para pobre escutar naquele momento, perguntou coisas bobas de festas e outras datas festivas ate que chegou à clássica conversa de quem não tem nada pra falar e fala sobre o tempo, mas foi a partir daí que começou...
- Sabe, aqui chove muito – falou ele tentando manter os padrões sociais, e com a resposta dela se travou o dialogo insano sobre a vida...
- É, o céu ta cinza – disse ela bem mais poeticamente.
- Esses dias me fazem pensar muito...
- Creio que esta pra chover agora mesmo – respondeu ela olhando pro céu, parecendo não querer entrar em nada mais profundo, mas se rendendo a curiosidade continuou - isso é bom ou ruim?
- Bem, as vezes bom as vezes ruim... - fez uma pausa pensativa e começou - acredito q minha mente funciona rápido demais principalmente nesses dias, os pensamentos as vezes me deixam louco
- Entendo, acontece comigo também
- É, queria poder parar, esvaziar, mas não consigo... Sonhos, estórias que aconteceram, que não aconteceram, que crio, que vivo em minha mente, escrevo mil estórias ao mesmo tempo em minha cabeça, vivo em mil mundos...
- Isso deve ser foda
Quando ele viu a expressão no rosto dela ao dar aquela resposta imaginou a estar assustando, então tentou desconversar, se desculpar com um sorriso amarelo no rosto
- Você deve pensar conversar com um louco né?!
A resposta dela veio apenas com um sorriso bobo e sem graça também, mas que parece, ao invés de pará-lo o incentivou e ele continuou.
- Na maioria das vezes queria ser como gente comum, só mais um, conseguir ir pro trabalho, voltar e me sentir satisfeito com isso, não querer muita coisa da vida, só viver. Por incrível que pareça, é nessas horas que a mediocridade me seduz.
- Entendo – disse ela
- Me sinto fora da realidade, e queria voltar pra ela - continuou
- O ser humano anda muito critico e você deve ser o pior deles – Disse ela num tom completamente irônico
Ele percebeu que já devia parecer chato aquela conversa e soltou com outro daqueles sorrisos sem graça;
- Tu não deve ta entendendo nada, me desculpe... desculpe...
Ela generosamente o abraçou com carinho e falou,
- Não precisa se desculpar, eu já me senti desfalcada varias vezes, como se eu não fizesse parte disso tudo...
E ele com lagrimas escorrendo e com um aperto no coração de quem fazia papel de bobo repetiu suas ultimas palavras
- Como se eu não fizesse parte disso tudo...

Clarence Santos

4 comentários:

Wallace de Melo Gonçalves Barbosa disse...

Meus Parabéns, Clarence. Seus textos são muito bons, pelo menos na minha avaliação. rsrsrsr
YEAH!
Bom Início de Semana!

Vanessa Lima disse...

Puxa...
Foi um texto de um diálogo tão simples, mas que disse tantas coisas.
Fiquei pensando em quantos de nós passam a vida "como se eu não fizesse parte disso tudo" e outros tantos achando que fazem. Tenho para mim que fazer ou não parte só depende de nós... Mas ai me vêm outra coisa: será que a gente quer mesmo fazer parte disso tudo?

Parabéns pelo blog e pelos belos textos. Espero poder ler mais deles!

Um abraço!

Clarence Santos disse...

Obrigado Vanessa, fico feliz que gostou, e tem mais por ai viu!

Abraços!

Eli disse...

Como se eu não fizesse parte disso tudo...
Me peguei hoje um pouco assim. E tu meu velho, como vai? Deu saudade de tocar junto, conversar um pouco.