quarta-feira, 18 de abril de 2012

...

E quando ela se foi para outro estado,
Eu também fui...
Ela de corpo,
Eu de corpo,
Alma,
Espirito
E coração...

sábado, 7 de abril de 2012

O sorriso da sabedoria

Depois que de mim nasceu a sabedoria me tornei imortal
Tomei a conscienci de que algo em mim viverá mesmo na morte
Algo/alguem que vai me levar,
No que ensinei,
No que falei,
Na genetica,
Ou mesmo no sorriso pequeno, molhado e salgado de saudade
Que se deixa escapar no fim do dia,
Com as cores do crepúsculo.


Clarence Santos

De quando fui vencido

Quando olhei ela estava sentada na mesa da frente, estava linda, cabelos soltos, livres, como o sorriso que deixava escapar a cada fração de segundos daquele belo crepúsculo de sábado. Minha mente viajava em muitos caminhos mas sempre parava naquele sorriso, e ela entretida naquela conversa gostosa com suas amigas que mesmo longe, parecia que eu estava participando, tamanha a atenção que guardei aquele belo sorriso.
Foi quando então ela rapidamente olhou pro lado onde estava e me flagrou desenhando-a com meus olhos...
Olhou rápido,
Tirei a vista,
Mas logo voltei, queria ver se ela estava olhando, se teve interesse, se tinha percebido, foi então que percebi que ela voltava a conversa com as amigas fiquei meio frustrado, ate que, como que para surpreender ela volta o olhar e me fita, dessa vez não tiro meu olhar, ela olha rapidamente para baixo, como que em fuga, mas desiste, e com o rosto ainda um pouco voltado para baixo ela fitou fixamente os olhos nos meus.
Nessa hora gelei, fiquei animado, empolgado, mas nervoso, ela percebeu, tomou conta da situação, dona do momento, foi quando deu seu golpe final, um sorriso pintado delicada e maliciosamente no canto da boca, discreto, mas que invadiu meu coração como uma flexa, senti o folego me fugir,
taquicardia,
suor,
fui vencido...
Ela, com seu trofeu, voltou a conversar com suas amigas...
Eu, com meus amigos, ria só, de alegria por ter sido vencido...

Clarence Santos

(Desenho de Oscar Niemeyer)

“Volta bailarina...”

Mas ela invadia todos os meus sentidos com sua dança
Visão,
Audição,
Olfato,
Tato,
Paladar...
Mas o que mais intrigava era como conseguia entrar em minha mente
Ser dona de meus sonhos, desejos
Em cada movimento, em cada balanço de seus quadris
De minha mente vinha uma corrente que me tomava todo o corpo
Acelerava coração, sentia sem duvidas e sem pudor meu sangue correndo mais rapido
Não conseguia parar,
Não queria,
Mas logo ela sumia, desaparecia, me deixava...
E meu corpo viciado pedia, implorava,
“Volta bailarina... Não se pode sumir assim...”
Quando se deixa um gosto tão bom na boca de alguem
Se volta antes que o gosto se vá...
Da boca,
Do corpo inteiro...
Da mente, dos sonhos, dos desejos
Do contrario... é maldade...
E sentia meu corpo viciado pedindo, implorando,
“Volta bailarina...

Clarence Santos

“O intimo desconhecido meu”

Hoje a pouco havia um homem estranho em meu banheiro,
Rosto cansado, cabelos meio grisalhos,
Olhar perdido, meio triste, procurando algo lá longe onde se guardam os sonhos.
Nos encaramos por alguns segundo
Até que num meneio de cabeça sinalizei minha pergunta,
“E ai?”
E ele me devolveu a pergunta com os mesmos movimentos...
Olhei-o em seus olhos e ele fez o mesmo,
Foi quando então cansei, apaguei a luz e sai.
Enquanto saia me perguntava,
“Quem abriu aquela janela la onde ficava o espelho?”

Clarence Santos

quinta-feira, 5 de abril de 2012

O segredo de uma borboleta...


Foi numa tarde chuvosa que a encontrei
Batia no vidro de minha janela insistentemente
Até que parou e pousou em meu ombro.
Olhei-a com uma expressão questionadora
E ela respondeu...

"Quem espera sempre alcança,
 alcança...
 ...cança...
 cansa...
 cansa..."

Clarence Santos e a Borboleta

terça-feira, 3 de abril de 2012

"Perguntaram-me se acredito em Deus... (2)"

E mais uma vez essa semana me perguntaram se acredito em Deus, essa pergunta sempre vem quando sabem que sou pastor protestante (licenciado... rss) e me veem degustando o delicioso cachimbo que carrego. Sempre que isso acontece  primeira coisa que penso é sobre o amigo Rubem Alves, e reflieto, e lembrando dele me pego a tentar decifrar o que de fato quer dizer acreditar, talvez só a muito pouco tempo tenha imaginado que talvez a palavra acreditar não seja a melhor forma de falar sobre Deus...
Lembrei do que ouvi, de que as palavras são como bolsos, elas carregam significados diferentes de acordo com cada dono delas, assim é Deus, palavra que carrega tantos significados, daí comecei a conversar com a pessoa a respeito das coisas que carrego no meu “Bolso com nome de Deus”, ela areceu não gostar, disse que mais parecia um bolso de criança, cheio de brinquedos...
Deus é o misterio, a beleza, o que não da pra imaginar, pensar em Deus é errado, é isso que diz Alberto Caeiro, Pensar em Deus é desobedecer a Deus, se Deus quisesse que acreditassemos nele ele apareceria e diria “estou aqui”. Mas isso nunca aconteceu.
É como o ar, não penso no ar, mas o tenho todas as horas de minha vida, se fosse asmatico numa crise tudo o que falaria era “Ar, ar, ar...” a gente fala daquilo que nos falta. As pessoas que falam demais em Deus são asmaticos espirituais,, estão sempre com medo de que ele lhes falte.
Manoel de Barros dizia “Vivo muito bem sem Deus, mas não consigo viver sem o ‘misterio”, sem o ‘sagrado’, sem a ‘beleza’. As coisas que não existem são mais bonitas” e isso me faz lembrar de um poeminha grandioso da Cecilia Meireles:
"No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, urna violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de urna borboleta."
E é isso que penso, não em acreditar, acreditar é palavra fraca pra isso,não acredito, mas vivo, experimento esse misterio, essa beleza. Os que mais amam a Deus são os que não acreditam que ele existe, e a despeito disso vivem o misterio, continuam a ter saudade, e se encantar com a beleza que veem no mundo, no jardim das delicias...




Clarence Santos




"Abertamente influenciado por Rubem Alves..."

"Quando sonhei com teu cheiro"

As vezes não conseguia diferenciar,
teu cheiro aparecia do nada,
mas não sabia se estava em meu corpo ou em minha mente.
Nasceu do sonho de ontem a noite
quando na solidão de minha cama 
te sentia
te sonhava,
te vivia,
no corpo,
na vida,
na saudade de tudo o que me trazia o cheiro de tua respiração...  




Clarence Santos