sábado, 7 de abril de 2012

De quando fui vencido

Quando olhei ela estava sentada na mesa da frente, estava linda, cabelos soltos, livres, como o sorriso que deixava escapar a cada fração de segundos daquele belo crepúsculo de sábado. Minha mente viajava em muitos caminhos mas sempre parava naquele sorriso, e ela entretida naquela conversa gostosa com suas amigas que mesmo longe, parecia que eu estava participando, tamanha a atenção que guardei aquele belo sorriso.
Foi quando então ela rapidamente olhou pro lado onde estava e me flagrou desenhando-a com meus olhos...
Olhou rápido,
Tirei a vista,
Mas logo voltei, queria ver se ela estava olhando, se teve interesse, se tinha percebido, foi então que percebi que ela voltava a conversa com as amigas fiquei meio frustrado, ate que, como que para surpreender ela volta o olhar e me fita, dessa vez não tiro meu olhar, ela olha rapidamente para baixo, como que em fuga, mas desiste, e com o rosto ainda um pouco voltado para baixo ela fitou fixamente os olhos nos meus.
Nessa hora gelei, fiquei animado, empolgado, mas nervoso, ela percebeu, tomou conta da situação, dona do momento, foi quando deu seu golpe final, um sorriso pintado delicada e maliciosamente no canto da boca, discreto, mas que invadiu meu coração como uma flexa, senti o folego me fugir,
taquicardia,
suor,
fui vencido...
Ela, com seu trofeu, voltou a conversar com suas amigas...
Eu, com meus amigos, ria só, de alegria por ter sido vencido...

Clarence Santos

(Desenho de Oscar Niemeyer)

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