domingo, 24 de fevereiro de 2013

“Queria tê-la escrito...”


Não consegui reconhecer a escrita, quem seria o responsável por ela
Às vezes a sentia clássica,
Shakespeariana,
Romântica como a Julieta ou forte como a Elizabeth
Outras a santa desiludida como a Fátima do Renato.
Do Mário acho que não, de Amélia não vi muita coisa e nem de sua substituta
Chegava perto talvez daquela do Poetinha com
 “Qualquer coisa além de beleza, qualquer coisa de triste...
  Qualquer coisa que sente saudades... Um molejo de amor machucado...”
Mas o que de certo sentia é que era bem descrita em cada palavra,
Cada sensação,
Cada curva
Como as do Chico, mas com um algo mais,
As vezes explicito, outras escondido num olhar que mais parecia o Nelson.
Mas também tem o sorriso largo de foto de capa
Legendado com a alegria indiscreta de quem se descreve,
A perfeição de quem se escreve num perfeito romance
Protagonista de si mesmo,
Às vezes penso que ela se escreve...
E no final não descobri o autor,
Não conheci sua musa,
Só descobri o desejo, que grita dentro de mim
“Queria tê-la escrito...”


Clarence Santos


Foto: Manu Bezerra por Mari Patriota no "Projeto Provador".

3 comentários:

Clarissa Loureiro disse...

Ótimos intertextos que dizem de uma mulher de carne e osso que inspira musas diversas, mas o que é mais poético no texto é a metáfora " protagonista de si mesma". Talvez, seja o melhor modo de recriar a singularidade feminina sem cair em estereótipos. Sublinho o olhar de quem vê e sente por dentro. Isto também é bom. Parabéns!

Aida Polimeni disse...

bem bonito e bem intenso. :)

Aida Polimeni disse...

bem bonito e bem intenso. :)