sábado, 23 de março de 2013

A luz do “dia de dar nome”


E tem umas horas que isso tudo aperta um bucado...
Nesses momentos em que não se está nem esperando e de súbito você aparece,
Naquele copinho de suco esquecido ou
Na tampa da mamadeira perdida em cima da geladeira...
No biscoito esquecido no canto da cama quando a pinta da galinha te chamou a atenção ou
No cheiro gostoso que esqueceste aqui no travesseiro...
Na manchinha do tapete que desenhasse quando por ali brincava ou
No beijo que sinto todas as manhãs mesmo quando não estas...
E nestas horas que ascendo a luz do “dia de dar nome” que guardo pra lembrar
De quando chamei teu nome como um sacramento...
Sofia...

Clarence Santos

quinta-feira, 14 de março de 2013

Doces heresias de um pastor no exílio...


Meu Deus
Algumas pessoas ficam muito preocupadas com o destino de minha alma quando me vêem falar sobre Deus ou sobre religiosidade, principalmente meus antigos colegas de batina/sacerdócio e de minhas antigas comunidades, ao que respondo não se preocupem, meus/nossos pensamentos sobre Deus não fazem a menor diferença pra ele, e o pior de tudo, ele continua seu relacionamento comigo mesmo assim...

Meu Deus não dá a mínima pra isso, ele, por outro lado, a despeito disso tudo, como falou meu mano Jesus, “Faz o sol nascer sobre bons e maus...”, assim pelo menos é o meu, mas o deus de cada um tem um jeito de se apresentar, um cartão de visitas diferente, que na verdade reflete a face de seu adorador. O teólogo Feuerbach disse uma coisa poética uma vez, disse que “Se as plantas tivessem olhos, gosto e capacidade de julgar, cada planta diria que sua flor é a mais bonita”. E como diz Rubem Alves, o Deus das flores são flores, das lagartas são lagartas, dos lobos são lobos... Dize-me como é teu Deus e eu te direi que és...

Meu Deus é suave, tranqüilo, adora os prazeres que ele criou, adora dar penitencias prazerosas como passar uma tarde na praia vendo o por do sol ou se deliciar com uma suculenta manga espada, sobre inferno geralmente comenta comigo irritado que não sabe de nada, que quem inventou que cuide dele, mas que ele não tem nada a ver com isso... Disse que das repetições não é muito fã, embora me faça recitar Cecília Meirelles como uma ladainha sempre que conversamos, boa praça, alegre, adora dança e festa, sempre aparece quando sente o cheiro da fumaça de meu cachimbo, e então passamos horas e horas trocando umas idéias ao som do Poetinha e em reverencia ao mesmo sempre acompanhado de um bom JD, arrisco dizer que é um boêmio, mas sempre me nega sorrindo dizendo que esse é Jesus...

Ao que digo, não se preocupem comigo, nem com minha alma, to bem acompanhado, meu Deus é gente boa e sempre dá um jeito de cuidar de mim.

Clarence Santos
"Fratertheologus minor et peccator"