segunda-feira, 6 de maio de 2013

Deus é um patrão injusto


E outro dia me olharam e me chamaram de pecador, me disseram que estava na mira de Deus, que ele era puro amor, mas também era de uma justiça implacável, e que puniria todos aqueles que pecam com o fogo eterno do inferno. Fiquei apenas observando e me lembrando de uma estória que meu irmão mais velho contou um dia, era mais ou menos assim:

“Era uma vez um homem muito rico, dono de muitas terras, e nestas terras, que na minha cabeça ficam lá pras bandas de Petrolina ele tinha uma linda, grande e fértil plantação de uva, de onde tirava para a produção de um vinho muito recomendado e apreciado no Brasil e no mundo.

Certo dia, ele preocupado com a plantação já em tempo de colheita, saiu ainda de madrugada para procurar pessoas para trabalhar na plantação e garantir que todas as uvas fossem colhidas no tempo certo. Encontrou um grupo de trabalhadores e com eles fez um ajuste diário de trabalho, pagando a cada um mil reais, os mandou para lavoura.

Algumas horas depois, andando pela praça da cidade, encontrou outro grupo de homens desocupados e lhes lançou a proposta de que fossem trabalhar pra ele na colheita, eles aceitaram e foram.

Quando continuou sua caminhada pela cidade, encontrou ainda outros grupos de homens desempregados e fez o mesmo.

Já às quatro horas da tarde, quando já voltava para casa encontrou alguns homens na rua sem ter o que fazer e perguntou: “porque vocês ficam todos os dias e o dia todo sem ter o que fazer ai pela cidade?” Ao que responderam: “Porque já procuramos trabalho por todos os lugares e não encontramos!” e ele prontamente os mandou para trabalhar na sua lavoura.

Uma hora mais tarde voltou à lavoura para fechar o dia de trabalho e fazer o pagamento. Chamou todos os trabalhadores começando pelos últimos que chegaram começou assim a fazer. Quando chegaram aqueles que haviam começado no fim do dia, ele começou a pagar o salário dando a cada um mil reais, e assim foi pagando a divida de cada um deles. Quando chegaram os que haviam chegado primeiro, eles animado imaginando que receberiam mais, tendo em vista que os que trabalharam menos receberam aquela quantia combinada com eles, mas receberam o mesmo salário, o que os deixou extremamente chateados e reclamando, pois, diferentes dos outros, eles haviam trabalhado desde cedo, ainda pegando o sol em seu momento mais castigante, e falaram contra o patrão, o chamavam de injusto.

O patrão parou, pensou um pouco a respeito e respondeu:

“Meu amigo, não fiz com você nenhuma injustiça, você não acertou comigo mil reais o dia? Pegue o acertado e vá embora; pois quero dar aos outros o mesmo que te dei. Não é direito meu fazer o que quero com o que é meu? É triste ver que na sua visão eu sou mau só porque quis ser bem. Pois então, aqui, os últimos sempre virão em primeiro lugar.” (Mateus 20 : 1 a 16)

E meu irmão terminava a estória dizendo que o reino de Deus é exatamente assim. O nome deste irmão mais velho por adoção que tenho é Jesus, e suas estórias sempre me trouxeram muito alívio ao coração.

Os interesses divinos estão longe das praticas, carmas e outras coisas semelhantes, Deus é amor, Deus é bom, e segundo o que aprendi Deus não é justo, pois justiça é fazer aos outros o que merecem, e assim não é como ele o faz, ele faz o que seu bom coração manda e por isso me aproximo mais do ETERNO, não numa relação mesquinha de troca, mas numa relação livre e de amor de um para com o outro. Deus não busca sacrifícios para abençoar ninguém, ele nunca aprovou uma moda especifica para quem crê nele, nem uma musica particular, pois diante das virtudes colocadas em alguns livros sagrados, a única coisa que aprendemos é que não existe um justo se quer n terra, e que todos nós dependemos da injustiça divina para continuar vivendo e experimentando de sua graça, qualquer coisa diferente disso é pura invenção e falácia humana, pois o que me ensina a bíblia é:

“Se é pela graça a nossa salvação, já não é resultado de obras, diferente disso, a graça deixa de ser graça. E se é por obras a nossa salvação, deixaria assim de ser resultado das obras, diferente disso, as obras deixariam de ser obras.” (Romanos 11:6)

Quero viver da graça, da injustiça divina, pois sei que não tenho condições de cumprir toda lei, ninguém tem na verdade, e segundo o que o livro sagrado nos ensina, não há condições de cumprir os ensinamentos da lei pela metade, não há como querer contextualizar uma parte da bíblia e ser literal com outra, e acredito por isso que o sábio fala lá em Eclesiastes 7:16, “Não seja demasiadamente justo”, pois “Os que procuram ser justificados pela lei, se separam de Cristo e caem da graça”.

E aos homens que nos olham com recriminação e ódio no olhar, falando de toda essa justiça divina, minha alegria é poder dizer, que no reino, sou empregado de um patrão injusto, filho de um Deus amoroso, que a despeito do que eu mereço, cuida e olha por mim e dessa graça não desejo cair.

Clarence Santos

Um comentário:

KP Turismo disse...

Belo texto! Acime de tudo ótimas passagens.